Grândola em Lavapiés
Meia noite do dia 24 de Abril de 2004, Lavapiés, Madrid. Um Bar de nome “La Grândola”, de paredes forradas de Che Guevara, Marcos, Mães de Maio, cartazes com o senhor Bush em posições bem mais comprometedoras que as do seu antecessor e cravos: começam-se a ouvir os tambores, - apenas um quarto dos nómadas moradores do barulhento bar contêm a sua expresividade e consequentes berros -, e de seguida o Zeca, “Grâândolaaa Vila Moreeeeeenaaa”. Para engolir, a casa oferecía, como me disse a Italiana de sorriso meigo que me serviu, “Vinho verde de Portugal, que há trinta anos teve uma revolução em Grândola”.
Dia 25 de Abril, Diário El País, página 16: “Claveles”, por Ricardo Cantalapiedra. Neste caso, não chega nem a un quarto, de página claro, mas não nos preocupemos que o quarto inferior da dita página pertence a Saramago, ou melhor, à editora. A intenção é o que conta, eu sei, eu sei, quantidade não é qualidade mas este senhor Cantalapiedra escusava de escrever, qual galego ele fosse, Xosé Afonso em vez de José, - e olhem que eu gosto muito de galegos, a sério, eles sabem!
Mesmo dia, mesmo jornal, páginas 6 e 7, secção Reportagem: “La `invasión´ española de Portugal”, por Luis Gómez e Margarida Pinto. Duas páginas, uau! Não há dúvida que esta gente sabe de proporções! O que nos vale é que temos vindo a aprender com eles, sim, prioridades são prioridades, e essa lição nós aprendemos bem. O campeonato europeo de futebol a cima de tudo. Viva os Estádios! Perdão, viva os Estados!
Dia 26 de Abril, diário El País, página 4, secção Internacional: “El 25 de abril divide a Portugal”, por Margarida Pinto, a mesma. Os éRRRRes também chegaram a Espanha. Proponho um exercicio de dicção: O ato oeu a olha da gaafa de um do ei da usia. Se conseguio dizer a frase anterior sem qualquer dificuldade e nem sequer um sorriso, siga o meu conselho, aliste-se no governo, com sorte ainda lhe deixam dar uma volta no submarino que o Portas está mortinho por mandar para o Iraque e quando chegar lá, que será provávelmente em 2025, poderá apostar as suas economías num dos muitos casinos da New L.A., que se tudo correr bem vai ser como se vai chamar a antiga cidade conhecida por Bagdad, - assim uma coisa do tipo do Prince, ou lá como é que ele se chama agora.
Em fim, banalidades. O que é certo é que este ano, como todos os outros desde que tenho memória, não conssegui evitar a lágrima ao canto do olho ao cantar a grândola.
“Liberdade,
quem disse que era mentira,
quero-te mais do que à morte,
quero-te mais do que à vida.” José Afonso
Obrigado a TODOS aqueles que lutaram e continuam a lutar pela Liberdade. Ainda não chegámos ao fim. Este cravo é para vocês.
p.s -este texto devería ir acompanhado de imagens, testemunhos bidimensionais e coloridos do que vos conto, mas por motivos técnicos tal näo foi possivel. fica prá´ próxima!
Sexta-feira, Abril 30, 2004
Quinta-feira, Abril 29, 2004
O Fadinho Futebolístico da D. Fátima
"Avô, avô, porque é que na TV só se fala no 25 de Abril?"
"Ora, meu pequeno imbecil, pois é nessa data que se comemora a Revolução!"
"Como a revolução nas tecnologias de telecomunicação, avô?"
"Não, meu infante troglodita, nada disso! Trata-se tão-só da mais bela e poética revolução de todos os tempos!" O ancião encheu o peito e o seu olhar fixou-se no infinito.
"Senta-te no meu colo, petiz. Vou falar-te da Revolução das Flores."
"Houve, em tempos longínquos, muito, muito, antes de tu teres nascido, um Ogre terrível que escravizou toda a boa gente do nosso belo País. Ora este Ogre era muito mau, de uma vilania tal que o próprio Diabo se escusava à sua companhia! E sabes o que é pior, meu acéfalo netinho? É que o Ogre conseguia enfeitiçar as pessoas de forma a que vissem nele espelhada, nada mais nada menos, a imagem da Virtude e Honra! O Ogre cantava-lhes aos ouvidos, e a sua voz era tão doce e insidiosa que parecia encher de brio o mais empedernido dos corações. E foi assim que, enganando tudo e todos, a odiosa criatura conseguiu conquistar e subjugar o nosso valente povo!”
“E oh!, meu querido, o seu jugo espalhou uma nuvem sombria por toda a nossa idílica paisagem…”
“O governo servia-se a si e não ao povo. Os amigos do Ogre recebiam regalias especiais, e geralmente eram feitos patrões. Os patrões, com a aprovação do Ogre, ficavam com um quinhão grande do pão, e o povo ficava com um quinhão pequeno. O povo não tinha trabalho; e os poucos deles que tinham eram mal pagos e podiam ser despedidos a qualquer altura pelo patrão, e viviam no medo. A polícia podia prender qualquer pessoa do povo sem dar justificações, mas nunca prendia nenhum dos patrões. Todos tinham medo uns dos outros, pois qualquer um podia acusar o outro de algo que não fez e levá-lo a ser preso. O povo era mantido ignorante, para que não questionasse as ordens do Ogre e dos patrões. Para isso, o Ogre ordenou que nas televisões só passassem novelas venezuelanas e jogos de críquete, e nada de noticiários! Proibiu também que mal dele se falasse, e a oposição política era uma farsa, já que todos estavam lá para o mesmo (isto é, o pão do povo). O críquete era muito importante e os patrões do críquete também mandavam. E o Ogre também apoiou outros Ogres que escravizavam outros povos como o nosso.”
“Um dia o Ogre, já velho e encarquilhado, caiu da cadeira em que repousava, e morreu. O povo exultou em segredo, mas logo um Ogrezinho tomou o lugar do seu antecessor. De qualquer maneira, o modelo da fatal cadeira passou a vender-se muito bem nas lojas de design.”
“Ogre morto, rapidamente a força do seu feitiço se foi dissipando até que, numa bela madrugada de Abril, os guerreiros fiéis ao povo se rebelaram e marcharam contra a tirania do Ogrezinho e dos patrões. E sabes o que empunhavam como armas contra os defensores da opressão e do estado-das-coisas? Lindos ramos de flores, flores de todas as cores, flores amarelas, vermelhas, brancas, com que espalharam um cheiro de liberdade que há muito não se sentia. Flores, de facto! As cidades cedo se revestiram de pétalas, espalhadas pelas calçadas como tapetes novos, e os prédios cinzentos exibiram a sua nova roupagem para receber o sol do novo amanhecer!”
“Aqueles que gritaram contra o Ogre no tempo da submissão foram ocupando os confortáveis assentos de couro do antigo palácio do tirano, enquanto os seus anteriores ocupantes se iam embora de fininho, esperando que não reparassem neles. O estado-das-coisas finalmente mudara!”
“E desde então, meu inocente rapaz, nunca mais tivemos que temer Ogre ou Ogrezinho, porque somos finalmente livres para decidir por nós próprios! E agora sai-me da frente do *RAIO* da televisão que o nosso Primeiro está prestes a fazer o discurso do 25 de Abril, que Deus o tenha! Um santo, esse homem, um santo…”
Nota do autor: Também este humilde texto foi vítima do famigerado lápiz azul da censura! A palavra entre ** não é a que estava no texto original. Confio na imaginação do leitor para corrigir este lapso e repor a verdade. Ah, a doce ironia de tudo isto...
Quarta-feira, Abril 28, 2004
Se tivesse sido trinta anos depois...
Proponho-vos hoje um exercício de imaginação, já imaginaram se o 25 de Abril tivesse sido em 2004? Pois bem aqui vai...
Creio que seria muito mais difícil fazer a revolução nos dias de hoje, senão vejamos. Já imaginaram o Chaimite que ao sair da Escola Prática de Mafra para tomar a capital, se depara com as intermináveis filas de trânsito à entrada de Lisboa? Bem podem argumentar que a revolução começou de madrugada... Aos que assim pensam, proponho uma bela excursão à Calçada de Carriche, num qualquer dia de labuta!
Outro gravíssimo problema seria o de como “comunicar” a revolução em curso... Há trinta anos ouvia-se o Rádio Clube Português, hoje ouvimos a RFM, o que complicaria todo o sistema, pois toda a gente sabe que, se a voz doce e lânguida de Joana Cruz interrompesse a emissão todos mudariam de posto com medo de mais uma lição de moral do género: “vale a pena pensar nisto”. Ainda no tocante à rádio poderia tentar escolher a “nova” música da revolução, mas penso que seria degradante se eu próprio me apanhasse a trautear as músicas das Non Stop.
Como todos sabem elemento fulcral de uma qualquer revolução é o factor surpresa. Até aqui todos de acordo. Apesar disso não creio que nos dias que correm uma qualquer coluna de Chaimites que atravessa-se Lisboa não fosse alvo de uma detalhada e extensa emissão especial, por zelosos meios de comunicação, de entre os quais destaco a TVI! Qualquer coisa assim do género daquela reportagem que filmava os veículos oficiais a transgredirem o código da estrada, sendo que todas as lacunas da reportagem seriam devidamente colmatadas por uma emissão da SIC que expunha fotografias de material bélico “estacionado” em cima dos passeios, ou bloqueando o tráfego na Rua do Arsenal... Havia de ser bonito!
Ainda dentro do assunto das prevaricações automobilísticas, vejamos agora essa grande invenção dos últimos 30 anos: os fiscais da EMEL. Se fosse hoje, o Exmo. Sr. Presidente do Conselho nunca teria saído do Carmo, pois os soldados ainda estariam de volta daquelas irritantes e demasiadamente amarelas chapas que haviam sido colocadas a bloquear as rodas do blindado. O leitor mais atento estará a questionar-se: e a multidão do Largo do Carmo e do resto de Lisboa teria permitido tal situação? Pois, mas meus amigos, 25 de Abril em 2004 foi um dia muito importante no panorama da estrutura sociocultural em que Portugal assenta nos dias de hoje, levando-nos a supor que a falta de conhecimento dos acontecimentos fizesse muitas “baixas” nas ruas de Lisboa... Que conclusão tirar? Se está a pensar no atraso do país devido ao futebol e seus derivados boa tentativa, mas a conclusão a tirar é: o fiscal da EMEL anda sempre bem informado!
Visto de outro prisma, se fosse hoje o 25 de Abril teria sido muito melhor para muita gente. Esta minha afirmação prende-se com o facto da dita classe dos “ricos” em Portugal ser praticamente inexistente, apenas havendo alguns que ainda conseguem manter as aparências. A vantagem disto prende-se com o “choque”. Nos dias de hoje o choque que esses “seres” teriam seria muito menor, pois não perderiam tanto como perderam há 30 anos... Sempre alerta e pronta a ajudar, a sempre previdente industria farmacêutica também amenizaria os efeitos da Revolução, permitindo mais e melhores calmantes e anti-depressivos a todos aqueles “espoliados” da Reforma Agrária... Outra grande vantagem (e eu estou sempre a pensar nos oprimidos!) é a “democratização” das viagens para o Brasil, o que ajudaria muita gente (até mesmo aqueles que só viajam em primeira) na ida para tão tropicais destinos…
Para concluir, e não podia deixar de referir isto, e já que estamos falando de consequências, o que seriam os momentos/dias seguintes à Revolução, já estou a imaginar um qualquer general cinzentão (refiro-me à farda, obviamente), fazendo uma declaração ao país numa dessas “taveiradas” audiovisuais (refiro-me à forma não ao conteúdo!) sendo efusivamente entrevistado, numa emissão especial conduzida por Júlia Pinheiro e Manuela Moura Guedes, quais Fialho Gouveia...
Aqui termino deixando este assunto em aberto, esperando os vossos contributos para o nosso contacto, pois o 25 de Abril é SEMPRE (mas para o próximo ano há mais, isto é se o Porto não voltar a ser campeão)!
Terça-feira, Abril 27, 2004
O derby nacional
Sete da manhã do dia 25/04/1974. O nevoeiro não deixa ver o fim da linha e o cheiro da madrugada está mais leve que nunca. Gabriel Alves (GA) e Jorge Perestrelo (JP) tomam os seus lugares naquele que seria um dos dias mais importantes da História Portuguesa do século XX (2º lugar ex-aequo com aquela intensa noite em fim de milénio onde país e mundo assistiu ao fatídico pontapé de Marco no Big Brother, dando origem a uma recessão sem precedentes que ainda hoje sentimos).
GA – Bom dia, boa tarde, boa noite para os nossos tele-espectadores, dependendo de que lado do mundo estão a ouvir as nossas ondas hertzianas. Hoje é um dia especial para todos os portugueses, não é verdade Jorge ?
JP – Se é, Gabriel. É diiiisto que o meu povo gosta. Ripa na rapaqueca de norte a sul do país com o derbi que há muito ansiávamos: MFA vs. PIDE. No papel, os cinzentinhos têm toda a vantagem, mas o MFA tem vindo a dar nas vistas.
GA – E de que forma. É a força da liberdade contra a liberdade de usar a força, naquele que vai ser o último e único clássico a disputar neste Estad(i)o Novo. O Novo já está Velho e o Velho já não é novo e vice-versa, não concordas ?
JP – Perfeitamente. Mas atenção, a partida vai começar. O MFA tem a iniciativa. A palavra está com Zeca Afonso que faz uma, duas, três reviengas. “Grândola… Grân-grân-grândola, vila morena!”. Que bonita é a festa da revolução!
GA – O MFA parte para o ataque. Os verdes abrem as portas aos quartéis e arrancam em velocidade. Aí vai Otelo com o seu estilo inconfundível, liberdade colada no pé enquanto faz uso da sua magia. Perdão, afinal é Salgueiro Maia, também ele um astro da vontade própria.
JP – E onde param os cinzentinhos ? Eles que dominaram o panorama durante mais de 40 anos estão agora reduzidos a uma insignificância que ainda ontem parecia inimaginável. O MFA controla o jogo por completo, apoiado pela maioria do país. A prova de quem calou uma vez, não o fará novamente.
GA – Esta é uma táctica inesperadamente usada pelos Heróis da Revolução. Já ouvimos falar em 4x4x2, em 4x3x3 e até mesmo a famosa tulipa usada pelos magriços. Esta é a força do cravo, o poder da paz, a técnica da democracia. A vontade de tantos nas mãos de tão poucos. Mas o que é isto, Salgueiro Maia arranca desgovernado em direcção ao Terreiro do Paço e a multidão acompanha-o gritando “Liberdade” segurando cravos vermelhos na mão.
JP – Nunca se viu nada assim, minha gente. Alguns dos jogadores que alinhavam com as cores da PIDE trocam de camisolas e juntam-se aos verdinhos. A população está ao rubro. O desfecho desta partida parece eminente. E ripa na rapaqueca. Um grupo de oficiais do Movimento dos Capitães arranca para o assalto final.
GA – Salgueiro Maia, um portento, um mágico, um senhor que trata por tu toda e qualquer revolução pela liberdade arranca em direcção ao Largo do Carmo, para o Comando-Geral da GNR. Eles.. eles vão atrás de Marcelo Caetano, o recentemente eleito presidente do Estado Novo e mentor da PIDE/DGS.
JP – “Liberdade” ecoa por todo o país. O povo quer, o povo vai ter. Spínola é destacado para entrar no último bastião da ditadura e selar o inevitável. Aí vai Spínola, passa por um, passa por dois, passa por três e já está lá dentro. É diiiisto que o meu povo português gosta.
GA – Tudo parece bem encaminhado. Rajadas. Estão a ser disparadas rajadas sobre a população indefesa. Desta vez, não foram provocadas pelos tele-espectadores. 4 mortos e 45 feridos, os únicos mártires que demonstram uma total falta de fair-play e um mau perder da PIDE. Voltando ao jogo, Spínola regressa, desce as escadas apressado, trazendo na mão a rendição de Marcelo Caetano. Vinha lançado, podia rematar, mas perdeu o tempo de remate. GOOOOLO! E apito final.
JP – É isto que é o espectáculo a revolução. Todos na rua, quase afónicos, gritando “Liberdade” para garantir que a palavra nunca mais irá perder o seu verdadeiro sentido. E é tudo a partir deste Estado Novo. Agora, o futuro é realmente possível. Bom dia, boa tarde, boa noite e tudo de bom.
GA – Adeus.
Ao cair da noite, fez-se silêncio e todos dormiram. Passavam poucos minutos depois das 4h da madrugada quando a cidade de Lisboa acordou cortada pela verdade de que se vestia o amanhecer.
A REVOLUÇÃO É NOSSA!
Segunda-feira, Abril 26, 2004
Otelo, a lenda sempre viva da revolução
Essa coisa dos cravos dá-me comichão na ponta do nariz e é por isso que nunca me junto à multidão entusiástica que festeja Abril.
Além disso, à rádio Viva Caramulo ainda não chegou o ultimo single da versão Remix da Grândola Vila Morena, o que não me parece nada democrático.
Mas, isto não quer dizer que o dia 25 de Abril não seja importante, nem que esteja em desacordo com os gloriosos propósitos abrilescos. Longe de mim, que sou uma pessoa muito patriótica. Até pensei escrever-vos em versos decassílabos, acentuados na 4ª e na 7ª sílaba, reunidos em estrofes de oito versos, dividir tudo e atribuir um canto a cada Capitão de Abril, mas desisti. Revelou-se uma tarefa bastante árdua e nunca nos dão o mesmo valor se tivermos os dois olhos.
De qualquer modo, mesmo que não seja em verso, preciso falar-vos ao coração. Preciso falar-vos de Otelo.
Acho muito bonito a forma democrática como dá uma entrevista à Nova Gente e depois passa pela RTP2, ah PERDÃO - Canal 2 (não sei como me fui enganar), sem nunca se esquecer de ir também à SIC para dar um animado “oi” à malta. E ninguém me tira da cabeça que em breve o verei no Cabaré da Coxa a contar as suas aventuras com aquela mulata matreira de Cabinda… Porque na verdade, Otelo é um homem que adequa o discurso ao público. Que sabe falar às massas. Que sente e vibra com elas!
E reparem como Otelo se cuida e como Otelo rejuvenesce a cada dia. Otelo nunca troca nomes dos sítios por onde passou, nunca esquece um soldado, nunca daquela mente virtuosa se obnubila um pormenor. Otelo não baba nem cospe quando fala. A cabeça de Otelo não pende ligeiramente para um dos lados com cansaço. Otelo dá enérgicas entrevistas de pé… OTELO É GRANDE!! Otelo ainda consegue andar sozinho na rua…
Há qualquer coisa neste capitão de Abril que me fascinam! Porque enquanto outros cravos do mês quatro murcharam e se encarquilham de ano para ano, a cada comemoração… Otelo permanece!!
Parece que ainda o estou a ver na sua farda cor de lodo. Parece tão jovem agora como nessa altura.
Em suma, Otelo está para a Revolução de Abril como Lúcia está para as Aparições de Fátima. Conservados em álcool e destinados a aparecer em cada comemoração e data importante para nos lembrar a todos o passado de Portugal. Para nos dizer quem somos, o que fomos e para onde vamos!
É reconfortante saber que daqui a longos anos será Otelo que ensinará aos meus filhos a sentir Abril, a amar Abril e a defender Abril. E eu comprarei todos os anos a versão actualizada, em DVD, da Revolução, por Otelo Saraiva de Carvalho e correrei para casa onde meus filhos me olham com olhos doces e eu direi: “Sim! Hoje trouxe Otelo para o Jantar!”
Terça-feira, Abril 20, 2004
Tomei a liberdade de limpar este wok de todo o refugado que o contaminava para fazer um anúncio exclusivo de interesse mínimo.
Será no próximo dia 26 (20 e 6 para os mais confusos) de Abril de 2004 que o blog abre oficial e oficiosamente, agora sim com as nossas considerações doutoradas sobre os males do mundo.
A divisão semanal será a seguinte (excepto se nos der na cabeça que a queremos mudar):
2ª: Heidi Caramulense
3ª: Hoka Hei
4ª: Estivador d'Alcântara
5ª: Hedonista Desenfreado
6ª: Jambon Madrileño
Sábado: Rebelde de Pantufas
Domingo: Convidado
Até lá, não esperem ver nada por aqui, mas a partir desse dia vamos estar em todo o lado...
