Durão e a (Co)Missão Europeia
Se ele estiver lá não estará a fazer borrada cá.
Se o Santana entrar, despontarão os casinos e a Ferreira Leite será demitida.
Se o PS voltar ao poder, tudo ficará na mesma, mas todos iremos fingir que não e passar a gastar mais dinheiro.
Qualquer que seja a decisão do Presidente da República, esta terá sido a decisão mais acertada do Durão: desaparecer da nossa vista é, sem dúvida, de "relevante interesse nacional".
Finalmente, irá merecer o seu ordenado, faça muito ou faça pouco.
Estou contigo Durão!
P.S.: E quem disse que as relações à distância não funcionavam ? A de Durão com Portugal só é concebível se 3500 km separarem os dois.
Terça-feira, Junho 29, 2004
Sexta-feira, Junho 25, 2004
"Por se ter mantido em segredo,
e por se ter experimentado só algumas vezes...
quem é que sabe...
quem é que deve fazer o quê, quando e como?"
*1
Hoje vou-vos falar de um texto sánscrito do século IV pelo sábio hindu Vatsyayana Mallagana. Sim, um sábio. Sem qualquer sombra de dúvida.
Na tradição sanscrita, a escritura foi considerada historicamente como um método pouco viável para preservar o conhecimento. Preparados como escribas mas incapazes de compreender as subtilezas dos textos técnicos, os copistas podiam interpretar mal ou até, com a melhor das intenções, tentar melhorar algo que para eles era de difícil compreensão. Aparecem desta forma os "sutras", breves aforismos de enorme expressividade que tinham como objectivo a memorização por parte dos discípulos dos mestres hindus que, conscientes dos defeitos da escritura, transmitiam de forma oral os seus conhecimentos.
Não obstante, o texto do mestre Vatsyayana não é mais que uma compilação (não tem piada o trocadilho fácil) dos conhecimentos de uma antiga linhagem intelectual que a partir do séculos I foi desaparecendo, foi feita desaparecer.
O objectivo deste sutra de que vos falo não é outro que não o de atingir um maior grau de equilíbrio e de satisfação nas relações interpessoais, apesar das mil e uma interpretações medíocres que dele foram feitas. Constitui desta forma a primeira teorização conhecida sobre a comunicação interpessoal, disciplina que só há poucos anos ganhou alguma relevância no ocidente, claro está, com um objecto de estudo muito mais politicamente correcto.
"O Kama é, antes de mais, a experiência directa do prazer sexual de um determinado tipo de caricia: o seu resultado é delicioso, impregnado com o sentimento afectivo."
(Kama Sutra 1.2.12)
*1 (Kama Sutra 2.9.45)
Quinta-feira, Junho 24, 2004
Porquê algodão quando se pode ter seda?...
Desta vez é o vosso hedonista de serviço que se desculpa por não poder apresentar um texto a tempo e horas, mas estou demasiado ocupado a satisfazer os meus mais ínfimos caprichos egoístas. E se há melhor desculpa do que essa, não sei qual será.
Os meus mais sinceros pedidos de desculpa
Quarta-feira, Junho 23, 2004
Qual quartinho qual quê... Amnistia Internacional JÁ!
Peço perdão a todos aqueles que viram por mim frustradas as espectativas de verem mais qualquer coisita escrita no Domindo, porém a minha vida não é andar de bicicleta em Torres Vedras, nem tão pouco assistir a jogos de futebol em catadupa ( que bela palavra) na televisão...
Feita esta “piquena” introdução, hoje não poderia deixar de escrever pois fui recordado deste meu dever, este dever quase pátrio que é preencher estes vossos 45 segundos das quarta-feiras... Fui recordado por duas pessoas distintas, a primeira do dia , o Senhor meu Pai, pedia-me encarecidamente, em virtude da leitura do texto que me antecede, para que eu me comportasse em casa dos meus amigos, perguntando-me se eu tinha voltado a ter comportamentos desviantes que caracterizaram toda a minha difícil adoloscencia... Ao que respondi, não pai só foi uma pequena festa e os vizinhos é que reclamaram, sendo que os pais desse meu amigo ficaram a saber, mas foi sem importância, até porque aquilo foi uma fofoquice na mercearia. Foi aí que a mãe dele soube... ( aqui para nós, mal sabia ele que os ditos país desse meu amigo moram lá pó norte, acho que é perto do Porto, bem se não é Porto é em Braga, no norte portanto!).
A segunda pessoa, com um amável telefonema pediu-me também que interviesse afim de por termo a esta GRAVE violação de direitos humanos que é: os pais imporem regras aos filhos!
Como saberão a minha área é o direito, e sendo um rapaz de regras, não posso ficar calado perante a tamanha injustiça, então “quer-se dizer, portantos um gajo pá, digamos que portantos pá, estuda anda, digamos que acordado até à meia noite ( deixem-me fazer este parêntesis para dizer aquilo que para mim representa a meia noite, e todas aquelas festas de garagem nos verões quentes de 64, 65, 66 e 67, “ em que ficavamos acordados quase até à meia noite”, bons tempos...), e não pode pá trazer uns amigos pá, portantos pá, pa fazer uma festarola, ã? (...) Pois mas essa cena, de estragar os sofas e acordar a vizinhança toda não quer dizer nada, “`da-se”, se um gajo, digamos que tá a trabalhar até à meia noite, portantos terá que fazer a festa apatir de pelo menos das trés, e quem é que, pá, sejam lá sinceros, quem é o gajo pá que se deita antes das 5...?”
Eu creio, no enquadramento legal que faço, o facto de não deixarem a criança divertir-se com os amigos, constitui um atentado gravíssimo aos Direitos do Homem ( na sua versão actual Direitos do Homem, da Mulher e dos Assim Assim), sendo que toda e qualquer especie de represália de cariz moral, físico, e ou económico será vista como uma violação concreta dos principios fundamentais da constituição ( nomeadamente do seu artigo 17º). Não esquecer também que são inválidos todos e quaisquer contratos que sejam contrários à lei, o que faz com que as aludidas “NOSSAS REGRAS” sejam inválidas, sendo que caducam por inconstitucionalidade material. Assim creio que o amigo Hoka Hei, sendo um cidadão de alto mérito, obtendo uma média de 17 valores nos sues estudos superioires, facto aliás reconhecido por seu pai, deverá mover uma acção contra seus pais, nomeadamente pedindo diante do tribunal a revogação das referidas regras, e impondo uma sanção que se traduzirá materialmente na compra do apartamento de cima, no imóvel onde o quixoso habita, bem como a obras de remodelação afim de se fazer um duplex com condições decentes para se fazerem as raves, tanto do agrado do queixoso ( sem esquecer o Mini Bar, e alojamento para os amigos). Deverão também o Srº e a Srª Hei pagar uma mesada no quintuplo do valor da actual e por último afim de “descomplicar” os fins de semana do queixoso, todo e qualquer contacto com os seus pais deverá ser feito em locais publicos, para que o coitado não sofra represálias.
SEMPRE CONTIGO, HEI... ( a propósito quando é a próxima?)
Link- http://www.amnistia-internacional.pt/
Terça-feira, Junho 22, 2004
NEURO-PAUSA
Para o leigo, a andropausa ou a menopausa são clinicamente incompreensíveis. Hormona X que sobe, proteína Y que desce, num carrossel biológico que leva a uma inevitável conclusão: a neuro-pausa. Só nesta perspectiva é possível compreender algumas atitudes que assolam o ser humano a partir de uma determinada idade. São 11h30 da manhã e dorme-se relaxadamente, aproveitando a única folga numa semana de trabalho. Os músculos recuperam, ainda, o ponto de equilíbrio depois de dois dias a acartar caixas,a montar e desmontar stands de vendas, a vender, trocar, "só aceitamos MasterCard", etc e tal. Esta pia manhã é interrompida pelo telefone. É o Pai.
- Ainda a dormir a esta hora ? - diz ele.
- Sim, ao contrário de ti estive a trabalhar até à meia noite.
- Ah, pois é. Olha, liguei só para dizer que hoje me sinto muito desiludido contigo.
Pequena surpresa. Ou talvez não. Desilusões também vêm no pacote.
- E posso saber porquê ? Que fiz eu desta vez ? (para além de estar a dormir pacificamente). - pergunta-se ao pai.
- Há um ano atrás foram te dadas instrucções específicas que a casa onde moras, a NOSSA casa, só seria usada por ti. Nem amigos, nem namoradas, nem jantares, nem o que quer que seja.
- Sim, mas o VOSSO filho, tendo em conta que é o responsável pela casa, achou que isso era um exagero. Afinal é uma casa ou uma redoma de vidro ?
- É a NOSSA casa com as NOSSAS regras. Ou são cumpridas, ou teremos de tomar medidas.
- Que sejam tomadas então. Não há conforto que substitua a liberdade de usufruir de um espaço como se acha melhor. Se acham que não estou a corresponder ao que esperam, eu não vou mudar esta atitude. Avisem-me da vossa decisão rapidamente para poder procurar outro sítio.
- Ainda por cima é ingrato! - continua o pai.
- Ingrato ? Pelo contrário, agradeço todas as condições que me deram. No entanto, na minha vida pessoal (namorada e amigos) nunca ninguém deu, dá, nem dará opiniões desse género. E como prefiro ter uma vida pessoal a um local mais confortável, não vou mudar essa atitude. Se puder ter as duas, tanto melhor. Caso contrário, é a VOSSA casa, tomem a VOSSA decisão que o VOSSO filho espera.
- Então prepara-te que quando nos vieres visitar vai ser um fim-de-semana complicado.
- E ainda me perguntam por que razão nem sempre tenho vontade de vos visitar.
- Não sejas ingrato. Não fazes mais do que a tua obrigação. Enquanto formos nós a sustentar-te, sentes o que nós quisermos.
- Fico descansado então. Quando não depender de mais ninguém, poderei ficar calado durante anos. Ai, a liberdade para o fazer.
- Tenho de desligar. Ah, já agora: parabéns pela média de 17 da faculdade.
- De nada.
Sinal.
Isto, meus senhores, acabou de ser um momento de neuro-pausa.
Sábado, Junho 19, 2004
Convidado de Domingo no Sábado, sim, porque que não?
Zumbi
CONSTITUIÇÃO ANTROPOLÓGICA
Nós sentimos e organizamos a nossa representação do mundo a partir de oscilações entre o sentido e o pensado, entre a razão e a paixão, surgindo a nossa liberdade, a nossa definição de homens livres.
Sendo a sensibilidade o meio da qual o sujeito experimenta sensações que podem divergir entre representativas e afectivas. O Homem, ao reflectir, escolhe sempre entre três sistemas de representação em relação com os seus sentidos: visão (representações visuais), audição (representações auditivas), tacto (representações cinestésicas).
Havendo ainda dois sentidos que, apesar de importantes, não estão tão desenvolvidas como os anteriores, o olfacto e o paladar.
Recentemente, adoptou-se à aceitação de um novo sentido, a inteligência emocional. As nossas emoções são o que temos de mais pessoal, manifestam-se de variadas formas, têm a função de descarga e servem para restabelecer o nosso equilíbrio interior, quando novos dados vêm pôr em causa as estruturas presentes. Estas informam-nos e ligam-nos à nossa inteligência. Com as emoções uma situação de hoje reactiva um sentimento forjado através de uma experiência vivida. A inteligência emocional faz com que a pessoa sinta um conceito, imagem ou uma situação, quer isto dizer, que é a comunicação imediata entre a sensibilidade e a inteligência.
Após o «sentir», aplicamos os nossos conhecimentos que foram adquiridos, durante o nosso percurso da vida.
Alcançamos a inteligência, onde imagens e conceitos nos permitem fazer um juízo. Este pode estar relacionado com um momento, no qual nos encontramos ou ante uma resolução de um problema, numa actividade.
Segundo esse juízo, alcançamos o último grau básico do “corpo”, a vontade, onde fazemos actos volitivos das coisas, ou situações, agindo conforme a vontade do «eu».
A vontade do Homem esforça-se por pôr em prática os meios apropriados à obtenção de um resultado perseguido em função de uma escolha deliberada, a um desejo.
Todo este processo é universal, mesmo que, para os Ocidentais se dê mais relevância à inteligência, em oposição à sensibilidade e vontade por parte dos Orientais.
Devido a um mundo que se autodestrói, onde o mais importante é o capital que o sujeito tenha, vamos perdendo tudo o que nos é natural, vamo-nos afastando, do mais desejado pelo Homem ao longo da história, a liberdade.
Podendo ser alcançada no momento em que nos deixemos “guiar” pela universalidade que é a constituição antropológica, podendo assim, afirmar-nos como « Homens livres».
Esse «Homens Livres» no sentido de que, devemos actuar e ser, tal como num primeiro período o fomos, bons, pois como afirmou Rousseau, “o homem por natureza é bom o que o corrompe é a própria sociedade”.
Zumbi
Sexta-feira, Junho 18, 2004
Há dias em que nem a normalidade imbecil de violências "futeboleiras", nem as banais guerras e violações de direitos humanos e nem mesmo a "TVIstica" estória da vizinha do 2ºesq. nos fazem vibrar.
Hoje, meus caros, é um desses dias.
Podia continuar temas de profundo interesse já lançados no blog, mas nem para comments estou inspirado. Com certeza seria um texto fantástico, ilustrado com imagens plagiadas da net (não quero que ninguém me diga que não vai ao blog porque não há bonecos), e com um conteúdo daqueles que vocês sabem, mas não. Hoje não.
Já me disseram muitas vezes: "Se não tens nada para dizer, não digas!"
Obviamente que tenho alguma coisa para dizer, todos temos, sempre. Nem que seja sob forma de voto em branco, rabiscos, voto útil, consciente ou convencido (se alguém não perceber que leia o post do caro e e ilustre inoportuno Hedonista).
Hoje digo:
1. Leiam os outros posts!
2. Deixem comments.
3. Tentem ser felizes.
Realmente P.s. - Como hoje é um desses dias e a monotonia é uma coisa detestável, MUDEI O "LOOK" (fica tão fashion dizer look, não acham?) DO BLOG. Se alguém não gostar e tenha poder para tal QUE MUDE para o look que mais lhe apetecer. É me indiferente. Já estava era farto daquela. Ah, aviso que daqui a pouco tempo vou-me fartar deste.
Quinta-feira, Junho 17, 2004
62,7% patriotas
Este domingo que passou fui votar. Descontando o tempo da deslocação ao local de voto, demorei cerca de um minuto a exercer o meu direito (e, é preciso não esquecê-lo, o meu dever) de cidadão. Um minuto da minha vida. Fi-lo, obviamente, depois de assistir ao jogo de futebol que opôs o nosso Portugal e a Grécia, outro dos meus deveres como cidadão. É certo, foi um sacrifício generoso, despender 60 segundos inteiros, arredondados por defeito, do meu precioso tempo para um acto aparentemente tão inócuo como desenhar um X num quadrado. Mas lá o fiz, e pelo menos posso gabar-me de fazer parte da minoria de Portugueses com representação política no Parlamento Europeu.
A abstenção foi de cerca de 62,7%. Em nenhum dos distritos esta foi abaixo dos 58%, à excepção da Madeira, que se ficou por uns meritosos 54,3% (segundo números do publico.pt).
Tenho uma mensagem para esses 62,7% da população portuguesa:
Imbecis! Duplamente imbecis! Triplamente imbecis! Imbecis vezes infinitos!
Atenção, não pretendo com isto insultar as muitas pessoas que não terão votado por não poderem. Mas duvido seriamente que 62,7% dos portugueses estivessem acamados com uma doença altamente transmissível; ou que estivessem para fora numa viagem de negócios; que se estivessem a casar; que se estivessem a divorciar…, de tal forma que não pudessem perder um minuto, vá, meia hora se quisermos contar com a deslocação, para pôr o raio do X no raio do quadrado!
Dizem-se desinteressados da política (será possível conceber um indivíduo que não queira saber como a sua vida é gerida pelas instituições para isso designadas?!), dizem que não se revêem no sistema de partidos sobre o qual a nossa democracia assenta. Pois votem em branco! Votem num mal menor! Façam rabiscos no boletim de votos! Qualquer coisa! Mostrem o vosso desagrado, se quiserem. Senão, estão simplesmente a permitir que os idiotas que gerem os vossos futuros interpretem o vosso silêncio da forma que lhes convém. Pois, como todos bem sabemos, numa eleição não há partidos derrotados. Todos ganham. Todos arranjam forma de festejar. Se ao menos o futebol fosse assim…
Quarta-feira, Junho 16, 2004
Terça-feira, Junho 15, 2004
Euro 2004
PAREM! Antes de desligarem o browser por pensarem que este é mais um post sobre bola, deixem-me que vos avise: não é. É sobre o Euro 2004 e quem o reduz a uma simples série de jogos de futebol não poderia estar mais redondamente enganado. Existe também muita Carlsberg Sem Álcool e sandes mistas a €3,00. No entanto, o que existe e em quantidades abundantes é uma idiota ilusão de segurança. Sim, os funcionários do SEF foram dobrados nos aeroportos. Sim, a PSP, a GNR e a PJ estão quase integralmente mobilizadas para este evento. Sim, até foram detidos suspeitos de terem ligações suspeitas a entidades sob suspeição com relações suspeitáveis com a Al-Qaeda. Posso, contudo, garantir-vos que entrar num estádio do Euro 2004 com uma bomba (ou uma bola de futebol, ou um computador... afinal, numa mochila pode ir quase tudo) é simples. E perguntam-se vocês "Ah, e não sei quê e tal..". E eu respondo: sim, de certa forma. É certo que existe muita polícia, muitos seguranças privados, muitos stewars e assistentes ao público, muita passagem pelo detector de metal, muito abremalafechamala. Mas isso é para quem tem bilhete. EU, Hoka Hei, já entrei no Estádio da Luz e no Alvalade XXI neste Euro 2004, repetidas vezes, e nem uma vez fui interpelado. E porquê? Porque estou ligado a uma outra empresa que trata do merchandising associado ao Europeu de Futebol. Apesar de isso nem sequer me dar direito a uma acreditação como as outras, dá-me direito, no entanto, a uma pulseira colorida, com o número do jogo impresso, que serve de livre-trânsito para todo o estádio. E digo realmente todo. Um colega de trabalho, perdido nos labirínticos corredores de Alvalade, acabou uma jornada na bancada VIP, a beber cerveja (com álcool) e a comer canapés com alguns ministros sem que ninguém lhe levantasse objecções. Tudo porque tinha a pulseira colorida.
Quanto a mim, aproveitei um momento de maior acalmia para tirar uma folga para jantar. Estando no exterior do estádio, peguei na minha mochila (onde tinha uma garrafa de litro e meio de água fechada e um tupper-ware de tamanho considerável), dirigi-me à entrada, apontei para a cor azul que trazia no pulso e mandaram-me seguir, sem parar na casa de partida. Mandaram-me seguir em TODOS os pontos de controlo, até chegar à uma das bancadas topo e ainda ver o 4º golo da Suécia à Bulgária (um belo penalti marcado pelo Ibrahimovic).
Daqui se depreendem algumas coisas:
- que as autoridades tomam terroristas por parvos, ao considerarem que só tentarão entrar num estádio por uma porta principal com adepto quando essa é a maneira mais complicada de todas;
- que o terrorista não trabalha, ou seja, a única forma concebível de o imaginar a actuar é num laxativo "O quê? Acartar caixas quando posso tentar rebentar a minha bomba como adepto pela porta principal? Nem pensar."
- que o terrorista é moreno, vem de túnica ou turbante, de olhos revirados, enquanto berra "Allah, Uh Ackbar" em plenos pulmões.
Mas não se equivoquem. Não são as autoridades que são idiotas. Idiotas são quem os informam.
Segunda-feira, Junho 14, 2004
Pela retoma da independência do Caramulo
Sinto-me invadida…
Dêem a casca de nós que eu quero ir embora…
O pais inteiro transformou-se num mega Algarve. Eles vão beber toda a nossa cerveja, ocupar todos os nossos lugares ao sol e à sombra e não tarda nada até as vossas mulheres passam a ser merchandising do Euro 2004.
Hoje recebi com admiração e revolta uma notícia perturbadora: estão esgotadas as Casas de Banho em Portugal!! Tudo para a estrangeirada poder evacuar sem filas, na calma e na paz do cubículo de plástico. Por isso, e para os interessados, caso alguém queira comprar uma casa de banho para por perto de uma obra qualquer para os obreiros poderem obrar à vontade sem se ausentarem do trabalho por longos períodos, ficam já a saber que não há nada para ninguém. O lema passou a ser: “Tudo para o Euro, nada fora do Euro!”
Perante isto… que mais há para dizer?!
Domingo, Junho 13, 2004
As putas das bandeirinhas...
Por estes dias assistimos aqui no nosso pequeno rectângulo, a um proliferar de pedaços de tecido de cores várias que representam a nossa indentidade nacional...
É vê-las penduradas tanto nas janelas, marquises, varandas, automóveis, ou até mesmo usadas como simples vestuário! Andamos “enfebrizados” ( de febril) com esta doença patriota que se veste de vermelho* e verde!
Ficaria muito mais feliz se o nosso patriotismo fosse demonstrado por exemplo numa ida às urnas... Seria bastante mais interessante que ao invés das “bandeirinhas” enfiadas em quase tudo quanto é lado, os portugueses, esse “nobre povo” largasse por umas horas a bela da mini ( lê-se “minE”), degustada acompanhando a leitura de um desses belos diários como a BOLA e o RECORD, ou a quando do visionamento, de mais um desses belos espectáculos de massas que são os jogos de futebol quase diários, fosse VOTAR!
Mas para quê votar, se podemos demonstrar de tantas outras maneiras o nosso patriotismo e o respectivo dever civico? Seja assistindo ( e acolhendo os adeptos estrangeiros) aos já referidos jogos, seja exibindo as ditas em tudo o que é lugar público, ou mostrando simplesmente o melhor da nossa cultura às turistas que nos visitam...
Meus amigos reflitam sobre isto! FORÇA PORTUGAL...
*( sim minhas amigas da linha, Restelo e arredores, a côr da nossa bandeira é VERMELHO e não como alguns imbecis revisionistas ou simplesmente atrasados mentais dizem, encarnado!)
Sexta-feira, Junho 11, 2004
360 Km PARA FAZER GRAFITIS
360 Km, 6 metros de espessura, 3 vezes mais comprido que o Muro de Berlím e duas vezes mais alto. Torres de vigilancia cada 300 metros, sensores, arame farpado e foço de 2 metros de profundidade (só faltam os crocodilos). O kilómetro sai a 1,6 milhões de euros (não faz mal, Israel é o pais do mundo que mais ajuda recebe dos Estados Unidos).
Em Junho de 2002 (já lá vão 2 anos, por falar nisso, ainda alguém se lembra quando é que mandámos a baixo o de Berlím) o governo de israel decidiu levantar um muro de grandes dimensões ao longo da Linha Verde para prevenir a entrada ilegal de palestinianos da Cisjordânia em Israel.
Na linha verde? Então porque é que estão a construir o muro mais a este, anexionando desta forma 10% da Cisjordânia?
Em meados de Março de 2003, o governo de Sharon anunciou que o muro incluiría a zona dos assentamentos do Vale do Jordão.
Podem-se construir muros à volta de terrenos ocupados ilegalmente segundo a legislação internacional? Podiamos mandar uns imigrantes ilegais carregados de betão para Olivença, o que é que acham?
11.700 pessoas ficarão completamente fechadas entre a linha verde e o muro. (E eu que pensava que as prisões eram para delinquentes e que tinham um limite de lotação!)
Um relatório recentemente publicado pela organização Israelita Bt´selem revela que o muro infringirá, melhor dizendo, infringe, uma série de Direitos Humanos – desde o direito à propriedade privada à assistencia médica.
(É pah, até nas nossas prisões há assistencia médica!)
Shalom e Salamalec significam a mesma coisa, paz.
PAZ, porra, é assim tão dificil de perceber!
Quinta-feira, Junho 10, 2004
Os verdadeiros ratos com asas...
Venho hoje falar-lhe, meu caro leitor (se é que me permite tratá-lo desta forma), de um assunto que muito me inquieta. Em boa verdade, venho por este meio fazer-lhe uma advertência da maior gravidade! Reparo na impassibilidade dos meus concidadãos face ao terrível flagelo que se abateu sobre as nossas mais orgulhosas cidades, e choro como uma viúva (sim, caro leitor, porque ao contrário do que possa parecer, um homem também chora).
Falo-lhes da ameaça que os pombos representam para o futuro do Homem. Eles estão em todo o lado. Passeando-se num bambolear estúpido pelos passeios; desfilando nas fachadas dos nossos mais emblemáticos edifícios; fazendo voos rasantes às nossas cabeças, a mendigarem nas esplanadas nos cafés (às vezes dentro dos próprios cafés!); vadiando nas árvores, entretidas a mirar às cabeças dos transeuntes e aos capots de carros; engordando à pala dos reformados nos jardins. E sempre olhando-nos com aqueles imbecis olhos redondos. Argh! Aqueles olhos!
Sempre que vejo um agrupamento (um bando, como nos ensinaram na primária) desses animais numa qualquer praça nacional, vêm-me imagens de uma Europa medieval devastada pela Peste, com ratazanas do tamanho de coelhos paredes-meias com as famílias. Ponha uma coisa na cabeça caro leitor, pombos são ratos com asas. Ao contrário da crença mais ou menos generalizada, não são os morcegos, esse animal extraordinário.
Os morcegos estão mais intimamente relacionado com os primatas do que com o grupo dos roedores. Os morcegos são animais extremamente limpos, e lavam-se de forma semelhante aos gatos. Além disso, os morcegos são muito úteis para o ser humano (mesmo que o ser humano não lhes seja muito útil), já que ajudam a controlar a população de insectos, polinizam plantas, espalham sementes nas florestas, e o seu guano tem várias aplicações, incluindo antibióticos (e não bombardeiam os nossos automóveis). O melhor que os pombos conseguem fazer é enfiar-se num motor de um avião e causar um grande acidente.
Se as pessoas não reagirem (e isto inclui-o a si, leitor), os pombos vão tomar o nosso lugar. Vão deixar as nossas povoações de tal forma cheias de guano, que chegará o dia em que o homo sapiens terá que se deslocar para as zonas montanhosas, onde estará a salvo das diabólicas criaturinhas. Vejo desoladoras cidades fantasma, repletas de esqueletos de edifícios poeirentos, onde aqui e ali poisam sinistras sombras aladas, olhos redondos a brilhar. O Hitchcock sabia-o, e legou-nos o seu aviso.
Não fique o leitor a pensar que advogo o extermínio dos pombos que, para todos os efeitos, foram introduzidos no habitat citadino pela mão dos homens. Mas há outras formas de combater o progresso do seu ímpeto açambarcador. Não perca o leitor a esperança, há cientistas a procurar uma resposta para o problema. Os pombos, no seu estado e habitat selvagens, são aves potencialmente belas. Neste modo de vida parasítico, não se beneficiam os pombos nem as pessoas. Vá agora a correr ao supermercado reunir garrafões de água e lanternas. Quando eles atacarem, é bom que esteja preparado.
P.S.- Nenhum pombo foi molestado durante a escrita deste post, pelo menos no que diz respeito ao autor. Provavelmente, milhares de pombos estão a ser molestados um pouco por todo o Mundo…
P.P.S.- Curioso, noto agora que este é o segundo post em que o tema está relacionado com aves… Será isto manifestação de alguma obsessão doentia?
Quarta-feira, Junho 09, 2004
Um dia triste...
Ontem antes de me deitar tinha preparado um texto para aqui publicar, porém os acontecimentos de hoje fazem com que o momento não seja o mais apropriado para tal, ainda mais porque quem vos escreve é um dos alunos do Sr Professor António de Sousa Franco, que como saberão tragicamente faleceu hoje.
Assim e em sua homenagem aqui deixo estas despretenciosas palavras.
Muito obrigado.
Terça-feira, Junho 08, 2004
Ora aí está algo que eu não compreendo. Haverá coisa mais feia, mais chata, mais sensaborona que um tempo de antena ? Diz-se que a democracia é a responsabilidade de todos através do acesso global à informação. Sim, podemos ligar a TV ou comprar o jornal e ver o que se passa no mundo (ou o que nos dizem que se passa no mundo), mas dificilmente teremos acesso aos nossos 15 minutos de fama sem permanecermos vestidos ou sem registo criminal. No entanto, toda esta realidade muda em tempo de eleições. E porquê ? Porque surgem os malfados (e compreensivelmente incompreendidos) tempos de antena. Subitamente, os partidos multiplicam-se e todos têm algo a dizer. É o PS, o BE, o PSD-PP, o PND e a CDU. E, subitamente, já não são só esses. São o PNR, o PM, o PCTP-MRPP, e mais o Partido Anárquico Democrata Humanista Artístico Sindical (PADHAS), enfim... uma parafernália de grupos recreativos coloridos que mais nada têm a fazer do que interromperem a emissão da novela das 7h32s05 para nos abrilhantarem o dia com os seus cenários de cores garridas e as suas propostas para salvar o mundo. Eu até nem me importava que existissem tempos de antena! Afinal, toda a gente tem o direito de ser famoso e dizer meia dúzia de baboseiras para todo o país ver. Devia ser, até, um direito constitucional: o de uma vez na vida podermos dizer merda a 10 milhões de pessoas e fingir que somos gente. Mas existem coisas que ultrapassam os limites. Uma é o Nuno da Câmara Pereira (ou um dos 3782 irmãos desse clã) a falar da nacionalização americana da rádio portuguesa. Outra são os cenários amarelos à senhor sorridente. Contudo, a mais irritante de todas é interromperem o momento orgásmico em que Pipo, aborrecido, confessa novamente a Joana que quer fazer amor com ela.
Sexta-feira, Junho 04, 2004
Caros leitores,
Escreve-vos Joaninha Fonseca, secretária pessoal de Sua Exª D. Hassan-al-Wazzan Jéan-Leon De Medicis, Leão o africano (prós´ amigos), que me pediu que hoje, a título excepcional, informásse que Sua Exª (o próprio) se encontra em fase de hibernação para a gravação do programa piloto “PlanetaCultura”.
Dito isto, tenham um bom fim de semana.
p.s. – Para qualquer problema por motivos de direitos de autor, é favor contactar com o Exmo Senhor meu advogado De Lemos.
Quinta-feira, Junho 03, 2004
Post cirúrgico
Tinha-me proposto tratar hoje de um tema da maior importância para a sociedade portuguesa, como poderá o caro leitor comprovar na próxima semana, mas o que vi hoje nas notícias (!) fez-me mudar de ideias.
Tenho consciência de que se tornou moda entre todo o ser humano com a mínima faculdade comunicacional criticar a posição de tudo relacionado com a América de George W. Bush. Tenho consciência também que, ao ter-se tornado moda, se tornou simultaneamente impopular naquele estranho paradoxo que acompanha as modas. Mas quero lá saber!
A Coligação – esse estranho eufemismo – anunciou a sua intenção de retirar as tropas do terreno no Iraque em finais de 2005, inícios de 2006. Pois é, a guerra afinal não foi ganha em duas semanas como nos queriam fazer crer os seus prognósticos optimistas. Digo que a guerra não terminou ainda, não porque as tropas continuam – e de que maneira, a torturar e a humilhar – no terreno, mas porque os combates continuam, dir-se-ia até que com crescente intensidade, um bocado por todo o país. E não me refiro a cus-de-judas tipo Al-Yussan-Itaf-Plof-Raban, mas à própria capital Bagdad.
Havia alguém ainda com ilusões de que o que se iria passar no Iraque seria uma escaramuçazita limpinha, uma guerra cirúrgica (hihi, esses assessores de imprensa, são danados p’ra brincadeira), que se mandava para lá os miúdos fartos de estar na reserva e ansiosos por um bocado de ass-kicking, e passados sete dias (qual Génesis – e não me refiro à banda) já o feliz povinho iraquiano estaria a agitar bandeirinhas e todos os contratos com as petrolíferas assinados? Eu espero e acredito que não.
Nada disto é “limpinho”. Tem areia, tem petróleo, tem sangue, tem lágrimas, tem urina, tem terra, tem pólvora, tem vómito, tem ferrugem… E tudo isso são merdas que deixam nódoas tramadas.
Quarta-feira, Junho 02, 2004
Caros leitores,
Escreve-vos Teresinha Antunes, secretária pessoal de Sua Exª D. Miguel Pedro Dinis Afonso Carlos Rafael "Estivador" D`Alcantara, que me ordenou que hoje a título excepcional informasse que Sua Exª ( o próprio)se encontra num denso e compenetrado estudo sobre uma matéria tão actual que são as Finanças Públicas, facto que o impede de vos presentear com esses deleitosos textos humorísticos que pautam o nosso meio da semana.
Sem mais assunto e apresentado que está o mais viemente pedido de desculpas, uma boa noite para todos, umas boas orações já no leito... E já que falamos de leito, tentem não esquecer que faz hoje anos que nasceu esse grande maluco ( qual Rui Unas...) que foi o querido, ternurento, amigo da sua amiga, fofinho e acima de tudo MEIGO, Marquês de Sade ( esse grande impulsionador dos movimentos contra a violência doméstica)...
Boas Noites e até quarta-feira se Deus quizer, Deus vos abençoe a todos, e a todos os vossos! Bem Hajam
Terça-feira, Junho 01, 2004
FLOP IN RIO
É verdade. O Rock In Rio está a ser um verdadeiro flop. Para quem estava à espera de 100 mil pessoas por noite, os números têm ficado inegavelmente aquém. Entre os 46 mil do Sir Paul McCartney e os 56 mil de Evanescence e Foo Fighters, todos devem estar a fazer contas às previsões para tentar compreender por onde se têm escondido os restantes. Meus caros organizadores do Rock In Rio, não seria preciso nenhuma empresa de consultadoria para compreender que os números a que se propuseram seriam muito dificilmente atingidos. E as razões são evidentes:
- para um festival que advoga um mundo melhor, colocar bilhetes a 53€ (mais ou menos 1/7 do ordenado mínimo) é colocar fora da lista 11 décimos da população portuguesa;
- para quem julgava que os estrangeiros poderiam compensar a perda, lembrem-se que a crise económica, mais ou menos aguda, bateu à porta de todos e que deslocarem-se para Portugal 15 dias antes do início do Euro (o que implicaria que cá ficariam mês e meio se a sua equipa fosse à final) ainda está longe das carteiras de quase todos os Europeus;
- o cartaz está francamente mau para desejos tão palpitantes como o são esses números (lembrem-se que o Festival Sudoeste, com cartazes bastante superiores, nunca superou as 45 mil pessoas).
Só por si, estas seriam razões mais que suficientes para se ter tento na língua e não se atirar números ao desbarato na esperança de que uma intervenção divina fosse encher os espaços em branco. Por 53€ a noite, até a intervenção divina ficaria à porta.
Quanto à organização do festival, reconheço que o espaço parece fabuloso, bem localizado a nível nacional, mas existem três pormenores que merecem o devido reparo:
- trocar euros por rocks ? essa é uma forma tão evidente de roubo que quase arriscava que o Sr. Medina vai virar político;
- festival que se preze tem de oferecer condições de campismo, porque se formos a acrescentar alojamento ao preço do bilhete, então é que ninguém tem forma de suportar os custos;
- faltam ao festival nomes grandes: sem querer questionar o valor dos cabeças de cartaz, seria enchente pela certa se nomes como Rolling Stones, U2 ou Pearl Jam fizessem parte do cardápio.
Mas como quem não tem cão, caça com gato, certamente terão sido feitos todo os esforços publicitários para garantir que, mesmo não vendendo um único bilhete, o festival não desse prejuízo. O cúmulo do “publicitarismo” (se assim lhe podemos chamar) foram os lenços brancos dados para os 3 minutos de silêncio serem oferta colorida do Millenium BCP.
Ah, e para finalizar, uma última dúvida: se este é o festival da igualdade, da fraternidade, do amor, da Humanidade, dos direitos para todos, a existência de uma tenda VIP para sectarizar um determinado grupo de pessoas parece-me muito pouco justificável, não é verdade ?
P.S.: é verdade, os habituais posts de sábado e segunda feira ficaram por publicar porque os respectivos responsáveis decidiram contribuir para o flop em questão, quer pelo apontar de direcções para a cidade do rock, quer distribuindo props na tenda electrónica... qualquer dano causado deverá ser imputado a eles.. eu não tenho nada a ver com isso..
