"LARANJAS COM PIMENTA - FLAMBÉ" 2º Capítulo (ver post laranjas com pimenta)
Passado algum tempo os Nuncachegalenses, aquele povo que já todos conhecemos, viram o tal Visconde - aquele que se tinha empoleirado na cadeira - a agarrar Nuncachegalá com unhas e dentes. Pois é, o sebo estava lançado e, qual teia do Homem-Aranha, abraçou o povo com aquela viscosidade pegajosa que já conhecemos. Passámos efectivamente de Diabo para Satanás.
Em Nuncachegalá havia alguns que se queixavam de que a sua opinião não tinha contado. Havia outros que saltavam de alegria. Havia outros que emigravam ou diziam que o fariam. Havia outros que não se queixavam, apenas se deprimiam. Havia até alguns que fingiam que nada se tinha passado, mas esses já há muito tempo que o faziam.
E havia OUTROS, muitos outros.
O Diabo foi, tal como tinha prometido, queimar para outra freguesia. Uma freguesia muito grande, com muita gente, com muitos povos que insistiam que a união faz a força. Só não se sabia muito bem para que é que queriam essa força, mas isso é outra telenovela.
Mas o diabo era uma "pessoa" muito competente e, obviamente, não foi queimar para outra freguesia sem deixar assegurado que a seu antigo reino não era menos que os outros. E foi assim que Nuncachegalá, fazendo jus à sua condição de reino de satanás e do diabo começou a ficar todo flambé. Flambé de bosques, flambé de serras, montes, montanhas e planícies e flambé de casas e afins.
Todos os Nuncachegalenses, povo que dorme muito mas não brinca, tinham uma opinião formada. Cada um a sua. O problema é que desta vez começava a cheirar a queimado ou, mais propriamente, a esturro.
Passado algum tempo...
(continua?)
Sexta-feira, Julho 30, 2004
Terça-feira, Julho 20, 2004
As minhas aventuras pelas Repúblicas de Leste
É verdade. A minha ausência na passada semana deveu-se a motivos de trabalho: uma dura e árdua investigação aos meandros político-sociais da Europa Central, um dia abafadas pelo punho estalinista, ou ainda outras paragens, agora de extrema-direita, um dia palco da madrugada da II Guerra Mundial. Viena, Budapeste e Praga foram os meus três destinos e, em apenas uma semana, propus-me a visitá-los e explorá-los turisticamente em toda a sua dimensão. Impossível. Viena exigiria uma semana, pelo menos. Budapeste outra. E Praga, ano e meio. Mas não é sobre belezas turísticas que pretendo falar, se bem que elas são inegáveis e apelo a todos com dois dedos de testa que, se querem juntar dinheiro para uma viagem, estas 3 cidades têm de ser tomadas em conta. Avante.
Uma das situações a que estive atento, tanto em Budapeste como em Praga, foi tentar perceber onde se encontra politicamente a Hungria e a República Checa integrantes da nova Europa dos 25. E, especialmente no que diz respeito às camadas mais jovens, passou-se de um extremo praticamente ao outro. Tudo que faz referência ao período de domínio soviético é abominado. Tudo o que tenha em maior quantidade a cor vermelha que não seja ditado pela moda, é conotado e logo abominado. Aliás, toda e qualquer cultura russa, por estar associada a um poder central e centralizador, é, anacronicamente, abominada. Qualquer lembrança, qualquer recordação de subjugação é abominada. Não obstante o facto de, em Buda, no topo do monte de S.Gerardo, se encontrar uma estátua dedicada pelos russos à liberdade, vendo-se a Liberdade segurando uma folha de palma. As recordações do Estalinismo ainda estão demasiado frescas e por isso a mulher é chamada de A Peixeira (de facto, ao longe, pode ser uma folha de palma ou um bacalhau, é tudo uma questão de imaginação). Na República Checa, por seu lado, apesar de ainda conservarem uma taxa elevadíssima de ortodoxia a nível religioso, abafando por completo o diapasão católico da Europa Ocidental, ainda assim se recusam a falar russo, uma língua que 80% da população conhece. Ok, e fiz estas descrições para quê ? Para concluir algumas coisas muito simples:
- A nós, ocidentais, ou mais especificamente portugueses, falta-nos uma verdadeira percepção da história e, de facto, não somos tão finos como pensamos. E porquê ? Porque após 40 anos de ditadura quisemos impor uma outra, mais colorida, mas ainda assim ditadura. Porque marxismo não tem nada a ver com estalinismo e, já mesmo no 25 de Abril, era fácil de perceber isso. Porque, em Portugal, continuou-se a apoiar o estalinismo porque não tivemos a clarividência de perceber o erro. Porque faltou força política e mental à esquerda para criar um marxismo em Portugal que fosse, para variar dos outros, realmente marxista.
- No entanto, os habitantes da Europa Central também não são tão finos como pensam. Aliás, não é uma questão de não serem tão finos ou não, mas de lhes faltar uma percepção exterior das alterações políticas no seu país. Já há mais de uma década que estão perfeitamente integrados no sistema democrático que vigora em grande parte da Europa, como uma rotatividade previsível entre esquerda e direita. Mas sente-se no ar que o voto na direita é dado com receio de que a esquerda abuse do seu poder, vista fardas, coloque bigode e reactive os goulags. E depois, o voto na esquerda é dado pelo receio de um perspectiva liberal-capitalista, algo tão novo para eles, tão descontrolado, tão desordenado.
- Contudo, a maior falta de percepção em relação aos anos que passaram em regime comunista prende-se com a cultura. Praga e Budapeste respiram cultura. Transpiram cultura. Transbordam cultura. E as cidades nem se apercebem disso. Enquanto a ditadura ibérica era feita na base da ignorância (escolaridade obrigatória: 4ª classe), a ditadura soviética era feita na ilusão do conhecimento (secundário e superir, tudo num quadro educativo super-centralizado). No entanto, o desenvolvimento de mecanismos de raciocínio nesse quadro de ilusão do conhecimento permitiu-lhes que, quando acedendo a uma verdadeira liberdade de criação, o fizessem num nível muito acima ao que nos é comum. Daí que a mera guia turística (aliás, que nós consideramos com desprezo mero guia turístico) tenha sido uma mestrada em Budapeste, que falava um português correctíssimo, sem uma falha verbal, sem uma falha semântica. Não só conhecia a língua portuguesa, como a expressava com mais à-vontade que muitos portugueses e ainda conhecia até algum calão português. Em Praga, por seu lado, a guia turística acumulava esta profissão com a de advogada e representante internacional da República Checa para as danças de salão. Não é suficiente ? Em Budapeste, num jantar típico, um grupo musical de ciganos impressionou tudo e todos com a qualidade da sua música. E porquê ? TODOS tinha formação musical de conservatório. Mas para resumir o avanço cultural que a zona nos leva: um varredor de rua, num inglês irrepreensível, confessou-nos que um dos seus hobbies era coleccionar e ouvir partituras de Bach. Três quartos dos portugueses presentes não o entenderam e muito menos conheciam quem era Bach.
Resumindo e concluindo: até na ditadura fomos ultrapassados, penitenciando-nos até hoje sob um fantasma fascizante que nos serve de desculpa para sermos maioritariamente ignorantes, em vez de daí retirarmos a força mental para retirar o que de "melhor" houve na ditadura. Perdemos na construção enquanto seres humanos, seres culturais, seres sociais e seres políticos. E depois espantamo-nos como é que Santana Lopes chega à Primeiro-Ministro.
Quinta-feira, Julho 15, 2004
Cada pieza, cada diseño, cada idea, es concebida por casa uno de nosotros. El coste de se elaboración no es solo el del material con que se hace ni el tiempo que se le dedica. En ellas van nuestra imaginación e nuestro cariño.
Además, nos gusta la calle como lugar de encuentro e venta; reivindicamos su uso como espacio ancestral de intercambios de todo tipo. Queremos vender en la calle. Tratar con personas y no con clientes. Dar salida a nuestro trabajo y no mercantilizarlo. Trabajar de un modo más humano.
Gracias por acercarte e conocernos.”
Tomei a liberdade, esta semana, de citar um panfleto que trouxe de uma recente expedição exploratória a terras da Galiza. Pois, eu sei que faltei à minha responsabilidade na semana passada, mas foi a pensar no leitor. Pobre de mim, tive que suportar as atribulações do Festival Internacional do Mundo Celta em Ortigueira, com o objectivo, claro está, de poder trazer para aqui novidades desse pedaço do Mundo. Com profissionalismo assim, dá gosto!
Eu gosto muito da ideia da produção em massa, do uso da tecnologia para diminuir a carga de trabalho ao Homem, etc… Se for na óptica de redução de custos e da democratização do acesso aos produtos, sou inteiramente a favor da produção industrial de bens. Se o que se passa hoje em dia não é o caso, se a realidade é bem diferente, se o que se passa é que as condições de trabalho viram-se degradar de forma confrangedora, se cada vez mais se cria não em função das necessidades do comprador mas em função da vontade de directores de marketing (“Satan’s little helpers”, na opinião do comediante Bill Hicks), a culpa não é da tecnologia per se, mas de um sem-número de interesses sócio-económicos tão complexos que seria impossível debatê-los em mil posts.
Por outro lado, acredito que se deve defender a todo o custo a produção artesanal. O artesanato pode não ser a solução de todos os nossos problemas no trabalho, mas é uma forma de expressão vital à cultura de qualquer sociedade, tão própria e intransmissível como a impressão digital de um povo.
Na “tienda” improvisada onde descobri este panfleto (por acaso com produtos artesanais de grande qualidade), comprei uma pequena peça. Fiquei a saber, por alguém que, se não era o próprio criador esteve pelo menos directamente envolvido na sua criação, como foi feita, com que materiais, a proveniência desses mesmos materiais, e ainda por cima tive uma breve conversa com essa pessoa. Em todo o lado onde comprei alguma coisa, fiquei a conhecer alguém, conversei sobre coisas não necessariamente relacionadas com a compra. Podem não ter customer support 24 horas por dia, podem não ter etiquetas com nomes famosos, mas têm algo que não pode ser emulado e repetido pela mais eficaz das máquinas.
P.S.- Perdoem a falta de pontualidade, mas isto anda difícil… Não imaginam os esforços hercúleos a que me vejo obrigado para conseguir postar isto. Tudo por amor ao leitor!
Sexta-feira, Julho 09, 2004
“LARANJAS COM PIMENTA”
a esperada telenovela infantil (náo me refiro a adolescentes)
Era uma vez um diabo que reinava a terra do “Nuncachegalá”. Era uma vez um Satanás que reinava a aldeia luminosa do “Estamosquaselá”.
Um día, o diabo foi carregado para outras terras, onde a sua maldade seria usada por “outros”. Como bom diabo que era a coragem náo era em absoluto uma das suas virtudes e a inteligencia, que náo a astucia, era esmagada pela sua ambiçáo pueril de poder, reconhecimento e capacidade adquirida para a malvadez.
Nuncachegalá estava em festa quando o diabo se foi embora, náo só por que ele se fora embora (até porque náo se sabia se era para náo mais voltar) mas também, e mais do que nada, porque os seus habitantes, o povo de nuncachegalá, finalmente tinham percebido que podiam chegar lá.
Foi entáo que o vizconde de Estamosquaselá, Satanás, (Sacana prós´ amigos), um ser muito encebado (de cebo), de sorriso maléfico e olhar podre, colorido e podre, subiu a uma cadeira daquelas de plástico côr de laranja com pernas de metal preto que já náo se fabricam, e se empoleirou, bem esticadinho, para apanhar o reino de Nuncachegalá.
Todos os Nuncachegalenses, povo que dorme muito mas náo brinca, tinham uma opiniáo formada. Cada um a sua. O problema é que desta vez começava-se a cheirar que a sua opiniáo poderia náo contar.
Passado uma semana...
(continua)
P.S.- Agradecimentos a Maria Helena Henriques Seco, musa inspiradora e analista política de renome
Terça-feira, Julho 06, 2004
(N)Euro 2004
Sei que este não é um blog de futebol nem o é suposto ser. No entanto, existem eventos desportivos aos quais não nos podemos esquivar e cuja importância seria idiota minimizar. Bem, na verdade só existiu mesmo um evento desportivo com essa dimensão: o recém-acabado Euro 2004. E, pela primeira vez na minha curta vida enquanto português, arrisco dizer que fizemos algo completamente bem feito. Quer dizer, não terá sido completa e totalmente; algo há de ter falhado, mas se a TVI não noticiou, então é porque não foi importante. 10 estádios, 31 jogos de futebol, mais de um milhão de espectadores ao vivo, cerca de 100 milhões a nível mundial e o pior que nos aconteceu foi mais um avião que "afocinhou" na Portela. Estranho estranho é não ter sido um Air Luxor. De resto, tudo mais ou menos ok. As equipas estiveram OK. O público esteve imensamente OK. O futebol foi de OK qualidade. Os golos foram dignos de um Europeu OK. Salvo alguns pormenores, o Euro correu bem. Quer dizer, depois de tanto ataque terrorista, de tanta ameaça prévia, não ver nada a explodir acaba por ser, de qualquer forma, positivo.
No entanto, o Euro teve o seu quê de Neuro. Quero, com isto, dizer que algo de muito estranho se operou nas cabeças dos portugueses nestas 3 semanas que passaram. Sei que irá haver uma facção política de extrema-esquerda e outra de extrema-direita que irão negar tal efeito, que irão questionar-se "Qual Euro ?" e, ao fim do dia, irão todos beber um copo ao "Stalin" ou ao "Adolfo". Nem o mais elitista dos elitistas pode negar o que é evidente. Não é uma questão de transformar a bandeira numa moda, não é uma questão de nacionalismo bacoco, não é uma questão de falta de originalidade quando chega a altura de entoar cânticos pela Selecção Nacional. É tudo isso num só. É uma mudança de postura, ainda que temporária. É, durante 3 semanas, sonhar sem grilhetas. É pensar "Porra, neste cú de Judas fizemos o melhor Euro de sempre e jogamos futebol até dizer chega". É ver a D.Irene, do alto dos seus 95, retirar-se da sala porque as emoções são muito fortes para o seu já fragilizado coração, ela que nem tem bem a certeza de quem joga por Portugal ou quem joga pela outra equipa. Durante 3 semanas, não houve Fado nem Saudade em Portugal. E os minutos após a final mostram o que ficou desse Euro. Depois de toda a emoção criada em torno da possível vitória, veio a desilusão. Qual é a probabilidade de se perder duas vezes com os Gregos num espaço de 3 semanas no nosso próprio país ? Já se ouvia "É mesmo assim, à portuguesa! É quase quase, mas nunca é totalmente". A diferença está no teor das queixas. Perder o jogo não foi culpa de ninguém. Não foi o Scolari, não foi dos jogadores, não foi do árbitro, Deus sabe que não foi do público, não foi de nada nem ninguém. E, de mansinho, começaram todos a ir em direcção ao Marquês do Pombal, palco de todas as festas, primeiro em silêncio e depois o inevitável buzinão. E, num determinado ponto da noite, Portugal tinha sido campeão. Todos gritavam como na noite contra a Inglaterra, todos sentiam orgulho pelo golo de Nuno Gomes aos espanhóis, todos choravam o ser português.
Pela primeira vez, não nos queixamos.
Pela primeira vez, dissemos muito sinceramente OBRIGADO SELECÇÃO.
Domingo, Julho 04, 2004
Santana, agora que te preparas para ser o nosso Primeiro aqui vão uns conselhos para a governação...
1- Esquece de vez os cartazes... Não te esqueças que Portugal não é Lisboa e se fores por aí o Orçamento está condenado...
2- Quanto ao protocolo, Santana não te esqueças que agora o protocolo não é, de todo, saber qual a primeira das meninas sobre a qual te vais ocupar, se a loira ou a morena.
3- Estar junto dos Portugueses não é estar terça, quarta, quinta e sexta na Kapital...
4- São Bento não é um salão de festas privado, e também não fica bem fazer orgias no quarto ( relembro-te isto!) onde dormiu o Srº Presidente do Conselho Drº Oliveira Salazar ( valha me Deus, eu nem quero pensar nisto)...
5- Boas relações internacionais não é aquilo que fazias com actrizes brasileiras no tempo da Secretaria de Estado da Cultura ( GANDA MALUCO).
6- Pôr a Cinha Jardim ( ou família) em qualquer cargo político não é aconselhável, deixa a estar nesse papel tão instrutivo que é animar o pessoal, quando toma banhos de sol alí pós lados do Forte de São Julião da Barra...
7- Não concorras, seu playboy inverterado com as roupinhas do teu amigo Portas, sabes nisto da roupa, a regra é: nunca te metas com um panilas, ele levará sempre a melhor...
8- Muito importante, arranja novos amigos e rodeia-te de gente minimamente inteligente... Já não estamos nos tempos da Figueira, e agora se fizeres merda( como fazes sempre!) diz adeus ao tacho...
9- Agora que és Presidente do PSD, segue o exemplo do PC. Acusa a Manela e o Marques Mendes de serem renovadores e manda-os embora... Não fiques com peso na consciência, é para isso que serve a Nova Democracia, para os descontentes da direita...
10- O Edson Athaíde para porta-voz do Governo talvez não seja a melhor opção...
11- Um investimento de 250 milhões de Euros na criação de bordeis, não vai ao encontro das reais necessidades do país...
Santana aqui estão alguns conselhos para ti...
Do teu sempre amigo Estivador, presente nas noites de loucura dos idos anos 80, naquelas boites da zona do Cais Sodré com nome de tudo o que é capital de leste... Bons tempos!
Sexta-feira, Julho 02, 2004
Durão has left the building
Perdoem-me, estou um bocado desorientado… De repente ficou tudo louco neste país? A Selecção Nacional a ganhar, as casas de alterne de Bragança a fechar, Manuel Luís Goucha num programa de humor, Durão Barroso na Europa, Santana Lopes a Primeiro Ministro?! Em que ponto é que começou tudo a descarrilar?
A inteligência política (leia-se, sorte) do Durão - ou José Manuel, como os media estrangeiros vão passar a chamá-lo - é inquestionável. É um cargo *coftachocof* caído do céu. Numa altura em que o seu partido tinha sofrido um revés que ninguém pôde ignorar nas eleições para o Parlamento Europeu, numa altura em que os Portugueses começavam finalmente a perceber que a tão badalada retoma económica não era bem o que parecia, José Manuel fez a coisa que mais lhe vinha a calhar: passou-se ao fresco. Os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio.
Era bem visível a satisfação do nosso saudoso Primeiro logo nos primeiros momentos. Que feliz estava ele, entre os seus colegas Populares da Europa, virando costas a este ermo em que continuamos à beira-mar plantados, fugindo aos emigrantes na França que não deverão tardar em chegar com os seus sotaques aparvalhados, fugindo aos turistas Ingleses que em breve estarão por todo Algarve, fugindo ao Big Brother 5… E como podemos nós censurá-lo?
À saída, deixou-nos um presentinho, uma última atençãozinha do tio Zé Manel: deixou-nos um palerma (ups, eu disse isso?) a dirigir os nossos destinos.
Curioso, tio Zé, tu que sempre fizeste questão em mostrar que não eras do tipo populista, que tomaste sempre decisões mesmo que não te ganhassem simpatias, porque era a coisa que sabias ser a mais acertada. Sabias que governar um país, sobretudo um país em crise económica, não era um concurso de misses. É um trabalho sujo, mas alguém tem que o fazer, e tu arregaçaste as mangas e pegaste a merda pelas mãos. Estás ausente há tão pouco tempo e já tenho saudades dessa tua integridade, titi!
É por isso que estranho esta tua decisão… Quer dizer, o Santana Lopes? Ainda se fosse a Manuela Ferreira Leite, que essa em popularidade andou sempre pelos pontos negativos… Mas o Santana Lopes? Não me canso de fazer esta pergunta. O Santana? Porquê Zé, porquê?
Tenho esperança (fé, Zé, fé!) de que isto seja parte de um plano maior e insondável (como todos os teus planos anteriores), a longo prazo, como tu gostas de planear. Daqueles cujos frutos só se colhem daqui a muito, muito, muito tempo, quando já estiveres a uma distância segura.
P.S.- Chegou tarde, mais ainda em tempo regulamentar. Não se queixem. Não tenho net neste ermo em que estou desterrado, pelo que tive que escalar sete quilómetros de escarpas irregulares e geladas, atravessar quatro quilómetros de desertos áridos (o Minho está cheio deles) e dois quilómetros de filas de repartições das finanças (esta última parte tendo sido a mais demorada). Mas por vocês, vale a pena! Bem hajam.
