Bla bla bla
Esta semana não vai haver post porque eu decidi renunciar às palavras. A palavra está decadente e o declínio da palavra está para breve. A palavra é um filtro tosco que retém toda a profundidade de pensamento. A palavra é necessariamente um embuste, desvirtua toda a realidade em que toca e transforma-a em plástico. A palavra é a ferramenta mais romba do espírito. A palavra é para quem vive no mundo das formigas, não no mundo dos deuses.
Deixo-vos com um último pensamento: as palavras suckam, o silêncio rula.
Quinta-feira, Dezembro 16, 2004
Quarta-feira, Dezembro 15, 2004
Já repararam que...
... Cristo nasce sempre no dia 25 de Dezembro, mas nunca morre no mesmo dia ? Quem é que decide essas coisas ?
Just wondering.
Terça-feira, Dezembro 14, 2004
Por motivos de ordem académica, opto por plagiar. Momento poético.
Para fazer do filho um homem bem educado, obrigava-o a comer a sopa com a colher de chá.
[...]
O Mar Morto chapinhava no Horto de Mármore.
As coisas amuadas, não são coisas, não são nada.
[...]
No comboio havia um compratimento especial para tímidos, mas estava sempre ocupado.
[...]
Ela pensava que os gatos era almofadados por dentro.
[...]
Letreiro encontrado ao lado de uma bota rota e abandonada
Não a vendo nem a remendo. Dou-a a quem doer.
E, last but not least...
Problema
No tempo em que os meninos, a mandado das mães, corriam à mercearia por batatas, sal toucinho, enfim, pelas miúdas ou graúdas coisas de que a panela ferve, não ferve, estava à espera, Daniel, que, nesses recados, ia sempre num pé e vinha noutro, perdeu, certa feita, 125 gramas de toucinho.
Pergunta: - Quantas palmatoadas levou Daniel ao chegar, desapossado do toucinho, a casa dos seus pais?
in Seixos de Alexandre O'Neill
Tenho dito.
Sábado, Dezembro 11, 2004
Media: Jornalista Manso Preto condenado a 11 meses de prisão... (SÍNTESE)
Lisboa, 10 Dez (Lusa) - O jornalista José Luís Manso Preto foi hoje condenado a 11 meses de prisão com pena suspensa durante três anos por ter recusado revelar em tribunal as suas fontes enquanto testemunha num processo de tráfico de droga.
"Considero excessiva a pena" e "sinto-me muito triste", afirmou Manso Preto após a leitura da sentença, que ocorreu esta tarde no 4º Juízo Criminal de Lisboa.
O advogado de Manso Preto, Tiago Bastos, garantiu que vai recorrer da sentença e considerou ter havido uma "insensibilidade da magistratura para o que são os direitos fundamentais".
O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alfredo Maia, também discordou da sentença, considerando que "o José Luís Manso Preto pagou para já com uma condenação, mas isso significa que as suas fontes e as fontes de informação dos jornalistas em geral podem continuar a confiar nos jornalistas".
Manso Preto é jornalista "free lancer" e colaborador do semanário Expresso e foi arrolado como testemunha de defesa no caso dos irmãos Pinto, camionistas acusados de tráfico de droga e que se tornaram conhecidos por liderar o bloqueio na Ponte 25 de Abril, em 1995.
Questionado em tribunal sobre matérias de que tomou conhecimento enquanto jornalista, invocou o seu dever de sigilo profissional para não revelar o nome da fonte.
O caso chegou ao Tribunal da Relação, que determinou a quebra do segredo profissional, tendo o jornalista mantido a recusa, alegando que isso prejudicaria a sua actividade profissional.
ZCL/APN.
http://www.lusa.pt/journal.asp?service_id=Jornal%20LUSA%20Cultura%20e%20Media
Um ataque à liberdade de imprensa! Temos que fazer alguma coisa!
Quinta-feira, Dezembro 09, 2004
Ho ho fucking ho
O Natal. Este período mágico onde todos são crianças de novo. Onde reinam a pureza de sentimentos e a alegria entre os Homens. Onde a camaradagem e o amor fraterno tomam o lugar das disputas sem sentido do dia-a-dia. Onde se pode encontrar um Action Man à venda no Modelo™ por apenas 15,99 €*.
Hoje (quarta-feira, feriado nacional) tive o distinto prazer de visitar a Baixa do Porto. Fui com o mesmo intuito que a maior parte das pessoas que por lá andaram esta tarde: pôr em dia as nossas obrigações sociais natalícias. Fui, portanto, comprar prendas.
Não pense o leitor que eu venho com isto pretender apregoar a hipocrisia que o Natal é. Isso já foi feito tantas vezes que quem disso não se apercebeu é, perdoem-me o francês, um anormal**.
Vim só deixar uma reclamação e, quem sabe, uma sugestão:
Porque raio não fazem uma sala de espera em lojas como a Zara, a Bershka, a Parfois****??? Não tem jeito nenhum, sobretudo no Inverno como agora, ter todos aqueles pobres homens de pé, ao frio e à mercê das intempéries, enquanto esperam pelas respectivas companheiras, como cães abandonados.
* Este valor é inventado. Ou pensava que eu fazia pesquisa para este tipo de coisas?
** Ou é a Lili Caneças, para quem o objectivo de Natal é precisamente esse: uma oportunidade para vender jóias***.
*** Aaaah, o que dizer da recente aventura televisiva da nossa mui estimada tia… Isso é tema para um post completamente novo.
**** Pois, pensará o leitor, diz mal diz mal mas sabe os nomes todos. Pois, nem lhe conto, é que encontrei um boné giríssimo na Parfois que até era azul escuro que fica tão bem com as minhas calças novas da Levi’s, que comprei para combinar com as sapatilhas Adidas, sabe aquelas que trouxe de Benidorm, só que era tão caro meu Deus custava quase 50 euros e se eu gastasse isso tudo depois não podia comprar aquele conjunto que vi na Benetton*****.
***** Fique o leitor descansado que este é a última nota.
