Afinal, quem engole o quê?
Mark Felt ou Linda Lovelace, qual deles será o/a "Garganta Funda" mais apreciado pelo público?
Economia para leigos
Se o deficit é a diferença negativa entre o que colectamos e o que gastamos, por que razão estamos tão preocupados? Basta não pagarmos o que devemos.
Terça-feira, Maio 31, 2005
Plano para as férias: não apostar 50€ com ninguém em como sou capaz de beber leite directamente das tetas de uma vaca, que perseguiria por um prado verdejante, cujo verde não conseguiria distinguir por estar já alta a noite e o éter a toldar a vista. O leite das vacas não é pasteurizado.
Segunda-feira, Maio 30, 2005
Quando Marylin Manson foi acusado de ter, musicalmente falando, influenciado os jovens assassinos de Columbine devido ao teor violento das suas músicas, considerei que estávamos perante um dos argumentos mais estúpidos para se simplificar um problema grave de sociopatia com uma solução básica e de fácil comércio audiovisual.
Depois de ter assistido ao concerto que o grupo deu no Super Bock Super Rock 2005, cheguei há conclusão que bem pode haver uma correlação, ainda que bem mais distante do que a que foi feita. Ora, deste um Si sustenido, duas ou três oitavas acima do tom normal da guitarra, no meio da música "Fight" que o meu ouvido direito perdeu uma percentagem considerável de audição. Não, não estou surdo. Estou sim temporariamente mouco. Temporariamente espero. Ora, imaginemos que estes dois colegas de Columbine assistiram a dois ou três concertos (senão mais) do anti-playboy norte-americano. É bem possível que tenham sido criados danos irreversíveis nos seus canais auditivos, impedindo-os de ouvir a homília do padre Vítor Melícias da sua freguesia. Deste modo, terão ficado sem qualquer referência nenhuma do mundo exterior para regularem o seu comportamento, estando diminuídos, no que diz respeito à compreensão do mundo, à sua consciência.
E como é certo e sabido, a consciência humana deixa muito a desejar. Isso e estou certo que o prof de Físico-Química deles foi injusto naquele trabalho sobre erupções vulcânicas.
Sexta-feira, Maio 27, 2005
A evolução de C3P0 nos primeiros três episódios do Star Wars mostra mais um caso dramático em que alguém, em Viseu, terá sido obrigado, pela força das circunstâncias, a mudar de visual para não ser reconhecido e brutalmente agredido. Opções sexuais e protocolos de serviço não devem ser motivos de intolerância.
Quinta-feira, Maio 26, 2005
Ser comentador faz-me lembrar as respostas aos testes de Filosofia do secundário. Baseados na presunção de que a Filosofia é a arte de manipular o abstracto até ao discurso mais conceptual possível, nada como começar qualquer resposta num telejornal de prime-time com "Sim e não". É aí que reside a arte do comentador: em explicar os prós e contras evidentes da situação e não concluir porra nenhuma.
P.S.: já que a vaca da Enetation decidiu emigrar para outras paragens que não este blog, coloquei o sistema que o Blogger fornece para comentários em modo ON. Usem-no sabiamente ou afogarei os vossos maninhos mais novos dentro de sacos de plástico numa banheira de água tépida.
Quarta-feira, Maio 25, 2005
Os economistas são estúpidos
Cumprindo o papel cívico que sempre me caracterizou, desde o momento em que roubava cerejas aos ricos para encher o meu pobre bucho, descobri duas formas de se combater o deficit sem exigir nada dos portugueses. Aliás, o país poderia continuar a buzinar por esse país fora como tem feito nestes últimos dias que as soluções por mim encontradas para o deficit permitem, até, que se falte mais meia dúzia de dias às responsabilidades para com a pátria, cidade, freguesia e agregado familiar. Vamos por partes:
1. Raptar Belmiro de Azevedo e o/a gestor(a) do Fundo para a Fundação Champalimaud e obrigá-los a ver as novelas portuguesas da TVI e depois a fazerem testes de avaliação sobre os personagens das mesmas. Se isso não funcionasse, fuzilaríamos membros familiares de minuto a minuto até nos darem o código do seu cartão MB, que, curiosamente, daria acesso à conta na Caixa Geral de Depósitos ou no Millenium BCP onde estaria TODA a sua fortuna.
2. Acabar com todos os ministérios, da Saúde (que, obviamente, não está a fazer nada) à Educação (ainda mais evidente é essa realidade), por aí fora, todos, todinhos, não ficava nem um ministério. E depois criava-se um mega-ministério, recheado de matemáticos e especialistas em probabilidades: o Ministério do Euro-Milhões. Aqui reunir-se-ia quem de especialidade para fazer previsões da chave da próxima semana. E de 10 milhões em 10 milhões, às vezes mais, íamos tapando a derrapagem no Serviço Nacional de Saúde sem termos de mandar para casa todos os pacientes com menos de 3 cancros concêntricos no estômago...
Segunda-feira, Maio 23, 2005
Pela primeira vez em onze anos, milhares de casais portugueses tiveram sexo consensual, apesar dos longos anos de casamento. Pela primeira vez em onze anos, esse sexo consensual envolveu as duas metades do casal. Pela primeira vez em onze anos, a parte fraca não levou com a sachola ou com o tacho do arroz. Pela primeira vez em onze anos, a música "Ser Benfiquista" viveu para a caracterização de "música para fazer bebés". Ou "música para ir ao cú devarinho", para os amantes da arquitectura moderna.
Sobre os comportamentos naturais ou contra-natura...
De acordo com 5 milhões de fontes anónimas, o Inoportunus soube que "lagartos e tripeiros, são todos paneleiros", o que provoca um nova redistribuição da balança dos apetites sexuais em Portugal. E agora, como vai ser a educação sexual nas escolas?
Domingo, Maio 22, 2005
Cê Lê Bê Alê
E pronto. Cumpriu-se a profecia. O Benfica é campeão.
Sei que há aí muita gente a exultar, e um número menor de gente a dizer mal da vida. E ainda uma porção de gente – em muito menor número, diga-se – que se está a cagar.
Eu faço parte da porção de gente que se está a cagar para o resultado desportivo, e a exultar com as implicações metafísicas do resultado. Não se enganem: jogou-se hoje o destino da Humanidade.
É a História que suporta a minha teoria presente. É sabido que precedendo uma grande transformação de paradigmas, há uma série de sinais que anunciam essa mudança. Sinais esses que passam despercebido aos olhares desatentos, mas que para aqueles que os sabem identificar, são indícios claros da erupção história prestes a acontecer.
A bizarria aumenta à medida que nos aproximamos de uma viragem da corrente histórica. A meu ver, a vitória do Sport Lisboa e Benfica é a mais evidente prova de que o Mundo se encaminha para uma convulsão histórica de proporções apocalípticas! Os sinais são claros e inegáveis. O Mundo tal como o conhecemos está a definhar.
Ora eu, com o meu apreço pela Evolução, sou obrigado a receber esta vitória com um sorriso de esperança. Apesar de ser confessadamente ateu (não apoio nenhum clube de futebol)…
O Benfica é campeão. O Fim está próximo.
Sábado, Maio 21, 2005
O único mamífero capaz da fidelidade é o golfinho...
Homem duvida da fidelidade da mulher.
Homem planeia teste de fidelidade da mulher.
Mulher trai homem.
Homem vê mulher traí-lo com outra mulher.
Homem agradece e diz que o seu casamento irá agora ficar mais animado.
Como 20 cm de nervo podem fazer a diferença entre agressão e festa.
A exibir: homem que fica contente por ver a sua mulher traí-lo com outro homem, porque assim haverá espaço para mais animação a três, onde ele poderá também dar asas aos seus fetiches homossexuais?
Sexta-feira, Maio 20, 2005
Núcleo familiar alternativo...
... é quando a amante processa o homem por este a ter traído com a sua legítima esposa.
Terça-feira, Maio 17, 2005
Porque é que quando algum governo tem de tomar medidas que não serão populares para controlar o deficit ou para lhe pagar uma viagem de iate, se referem às ditas cujas como draconianas? São sempre draconiainas? Porque não podem ser impopulares, complicadas, difíceis, austeras, rígidas ou, simplesmente, estúpidas? Quer dizer, coitado do moço. Deve ter feito muito mal para lhe associarem sempre o nome ao pior que um governo faz aos seus, mas também já é hora de pararem de lhe atirar isso à cara. O que quer que ele tenha feito, não pode ser assim tão mau. Porque senão ele seria político ou dirigente desportivo em Portugal e não um estrangeiro qualquer... Porque não lhes chamam medidas guterrianas? Ou soaristas? Ou, melhor ainda, sempre que um presidente tivesse uma notória falta de imagem mediática, nunca diríamos que ele era feio, seboso ou bimbo, mas sim que tinha uma pose cavaquista. Será que os senhores gostavam? Um por ser comparado com Cavaco e Cavaco, que nem nos cartazes de Santana quis estar, há-de querer estar nas bocas do mundo, como se de bolo-rei se tratasse, não?
E já que me estou a queixar, o mesmo vale para as palavras maquiavélico e pasteurizado. Os senhores mandam dizer que estejam calados com o nome dele. O primeiro disse que o seu congénere Berlusconi é bem pior, mais untado e egocêntrico. E que até queria que as Brigadas Vermelhas dessem uns tiritos por aí para o povo ter circo enquanto ele roubava o pão. Já o segundo, tá enjoado de lacticínios. Quer associar-se aos vinhos da herdade de Reguengos...
Quinta-feira, Maio 12, 2005
O que diz o toxicómano ao delegado de justiça na terceira visita em 15 dias
Eu desisti, mas não resisti...
Quarta-feira, Maio 11, 2005
Quiero morir
De acordo com Público.pt as funerárias privadas perderam o monopólio dos funerais. Fiquei confuso com duas coisas: se são funeráriAS (sublinhe-se o plural), é complicado falar-se de monopólio, certo?; e se as funerárias perderam esse tal monopólio, ele vai para quem? para as farmácias substituir os medicamentos de prescrição livre?
- Olá, boa tarde. Aspirinas, tem? É que tenho uma dor de cabeça que me está a matar.
- Se o está a matar, aspirinas não temos, mas temos aqui um caixão de pinho francês com TvCabo e ADSL. 6ª feira dá-lhe jeito?
P.S.: quem ficou com a possibilidade de enterrar os mortos foram as instituições de solidariedade social (já tou a imaginar o anúncio de rádio...)
P.P.S.: se eu for o único parente directo de alguém que detesto, posso recusar-me a enterrar essa pessoa, não posso?
Terça-feira, Maio 10, 2005
Trocos para café
Imaginemos que existem 10 moedas no mundo e que essas moedas representam o valor de todos os bens físicos e de todos os trabalhos humanos. Não podemos forjar uma 11ª moeda porque isso era inventar riqueza onde ela não existe, levando a uma desvalorização da mesma. Por isso temos só 10 moedas e nada mais. E depois temos 10 pessoas. A quantidade de riqueza no mundo tem um grau de variabilidade mínimo, não explode nem desaparece da noite para o dia, por isso simplifiquemos e digamos que a riqueza existente no mundo é fixa, assim como o número de pessoas. 10 moedas. 10 pessoas.
O Comunismo dir-nos-à que cada pessoa deve ter uma moeda, já que somos todos únicos e valiosos na nossa individualidade. E aí? Quem se aplica não vê o seu esforço recompensado? E quem não labuta, vive à conta dos outros? Não posso existir para alémdos meus limites físicos? Não posso ter nada mais a que chamar meu do que eu?
Surge então Liberalismo: a cada um as moedas que demonstrar merecer. E não se esqueçam, só existem 10 moedas e 10 pessoas. E uma dessas pessoas trabalha realmente muito, gasta todo o seu tempo a polir as moedas, enquanto as outras 9 nada fazem. E, por isso, esse homem ganha todas as 10 moedas e agora temos 1 homem com todas as 10 moedas. E os outros 9? A sua preguiça deve condená-los à morte? A moralidade do esforço sobrepõe-se à moralidade da vida?
Talvez se trabalhassem todos muito... E aí cada um teria uma moeda e estaríamos a resvalar para o comunismo e, ao fim e ao cabo, era muito trabalho para a mesma situação. Então, que fazer?
Se, por um lado, é justo querermos ser recompensados pelo nosso trabalho, essa justiça ganha contornos borratados quando a nossa recompensa é a pena de alguém. No entanto, por outro, de que serve o trabalho senão para nos recompensar?
Darwinismo social? Os menos aptos estão condenados a desaparecer? Talvez, mas, ao reclamarmos o que é nosso, tiramos o que, potencialmente, é de outro, condenando-o, REALMENTE, a não existir.
Daí me confundir quando se fala em crise. Subitamente, parece que alguém pegou em notas e as atirou para uma fogueira e puff, já não há dinheiro para todos. Ele existe, apenas está mal distribuído, ou, melhor dizendo, desequilibradamente distribuído. Uns têm ainda mais e outros ainda menos.
Depois vem o Estado Social, a Segurança Social, a Ajuda Social, a Consciência Social, que nos diz que todos os homens têm direito a um nível mínimo de vida. Mas afinal, há darwinismo ou não? É que se assumimos a presunção de que todos devem ter um nível mínimo de vida, é de um cinismo atroz achar que esse mínimo é satisfatório. E que mínimo é esse? Pão e água? T6 nas Amoreiras? Um jacto privado?
O mínimo dos outros é definido pelo médio de que procuramos fugir. A equação faz-se da seguinte forma: quanto é que é possível disponibilizar sem eu perder N privilégios? E temos o nível mínimo de vida.
Mas isso é só à porta de casa. Porque longe da vista, longe do coração e aí já não queremos saber de mínimos, já não queremos saber de igualitarismos comunistas ou equidades liberais. Aí mudamos de canal, damos graças a quem acreditamos e deixamos o darwinismo tomar o curso que lhe traçamos...
Domingo, Maio 08, 2005
Os tais 15 minutos de fama…
Lembrei-me hoje de uma coisa que me intrigou: o que é feito do julgamento de Saddam Hussein? Não fique o leitor a pensar que, posta esta questão, tratei de investigar o assunto a fundo. Nada disso. Não fiz mesmo o mínimo esforço para saber mais alguma coisa sobre isto. Contentei-me antes em imaginar uma teoria que pelo menos para mim é um substituto perfeitamente aceitável para essa coisa da verdade jornalística (that’s for pussies). O quê? Esperava o leitor por acaso alguma espécie de investigação jornalística deste Inoportuno? Se nem a CNN se dá ao trabalho, porque haveríamos nós?
Pois bem, a minha conclusão é a seguinte: a razão pela qual não se ouve falar do julgamento do ex-ditador do Iraque é que, neste momento, está a decorrer nos Estados Unidos um julgamento tão ou mais mediático. Falo obviamente do caso Michael Jackson, essa Casa Pia à americana…
É preciso compreender que este tipo de julgamento implica uma operação massiva de cobertura mediática, o que por sua vez implica uma dose massiva de receitas relacionadas com a publicidade. E levando isto em conta, podemos finalmente compreender a razão pela qual dois julgamentos tão mediáticos como estes não possam coincidir. Porque simplesmente anular-se-iam. Feitas as contas (e quem me conhece sabe bem que eu sou um mestre da análise económica), seria um belo desperdício de audiências. Vão ver que quando esta coisa toda do ex-Rei da Pop esfriar, o ex-Ditador do Iraque vai entrar em cena com toda a fanfarra. You wait and see…
Foi o vosso Senior Media Analyst Hedonista, para o Inoportunus.
Sexta-feira, Maio 06, 2005
1. Sexo na banheira é bom
É aquilo que nos vem à cabeça quando vemos a aula sobre pragmática e ontologias regionas que Eduardo Prado Coelho decide dar no Público de hoje. Tudo bem que os códigos ortográficos que devem reger o jornalismo não se aplicam para os comentadores e variam consoante o público-alvo. Certamente, 24 Horas e Público têm diferenças de públicos-alvos que se traduzem em escritos diferentes. Ainda assim, Eduardo Prado Coelho masturba-se descaradamente para uma publicação de divulgação (pelo menos esta semana) internacional. O texto dele, de profundidade inquestionável, enquadra-se na descrição da História da Imprensa dos anos liberais do século XIX - apesar do crescimento bombástico do público leitor, esse não ocupava mais do que uns meros 2 a 3% da população nacional. Estou certo que este texto só foi lido na íntegra por mim e por Vasco Graça Moura e ambos suspiramos no final...
2. Quando for grande, quero ser...
... comentador. Quero comentar. Não tenho de tirar nenhum curso para isso, pois não? Posso comentar o que me pedirem, desde o avanço das obras do Túnel do Marquês, sentado num banco de jardim, a olhar para os buracos com cara de empreiteiro (ou funcionário das finanças) na reforma, até ao Túnel de Ceuta (faz o túnel, para o túnel, faz o túnel, para o túnel). Mas, se me perguntarem o que gosto de comentar, eu terei de dizer política e economia. Comento política que me farto. E economia, então, é que é. Ó pa mim: "Este governo já caiu do estado graça". Ou então esta: "Livramo-nos das trapalhadas de uns para levar com as trapalhadas destes". Viram, viram? Comento ou não bem? Permitam-me que lhes aponte as vantagens destas frases: são tão abstractas que dão para qualquer governo... Pensando bem, dão para qualquer área das nossas vidas. E na economia? Aí é que eu sou bom. Ora toma: "Continuamos a gastar mais do que temos". Ou então: "Estamos cada vez piores. O deficit aumenta, as importações aumentam, o desemprego aumenta, as exportações diminuem. Estamos a passar da tanga para um G-String muito pornográfico...".
Bem-aventurado o inventor dos editoriais. Abençoado o homem que falou do two step flow of communication e dos opinion makers. E agora, quem me quer comprar?
Think Tank
Portas quer dar à direita algo que nunca teve: capacidade de falar para além das strippers e dos lagostins que estão a comer no momento, valha-nos Nossa Senhora dos Pés Descalços. Direita parlamentar, entenda-se, que há muita boa direita por aí, uma intelligentsia conservadora cujo contributo para o debate só seria benéfico. Mas eu também não trocava o meu ordenado de gestor ou de advogado para ser um mero deputado.
E para isso quer criar um Think Tank, expressão fascinante que nunca consegui abarcar na totalidade. Será um espaço onde as pessoas pensam todas iguais ou, pelo menos, todas sobre os mesmos temas para apoiar ideologicamente os mesmos políticos. É justo. O Bloco também cita Marquês de Pombal e o PS Alberto João Jardim.
Mas isso de alguém ser pago para estar a pensar e a falar do que pensa, parece-me dúbia...
Aposto que na maior parte das vezes vão estar a mandriar.
