Ou muito me engano ou vai fazer-se História
Estou com a leve suspeição que sábado vai marcar o ano de 2005. Manifestação de extrema-direita para o Martim Moniz, onde deverá estar a acontecer a Festa da Diversidade. Ou seja, a gasolina vai passear-se para o meio da fogueira. E depois, que acontece? De um lado, extrema-direita, nas suas formas mais e menos cabeludas, mas eternamente brancas. De outro, a esquerda, qualquer outro que não concorda, simplesmente porque não, ou porque é preto, ou porque é emigrante, ou porque é criminoso, ou porque não é nada destes mas não encontra nexo causal entre emigração e criminalidade (como não se encontrou na França da década de 60 e 70). E quando as provocações ultrapassarem as barreiras da decência (e, acreditem, isso é mais que provável)? Quando a profissão da mãe de alguém for metida ao barulho? Quando o excesso de melanina ou o deficit de cabelo servir de desculpa para a agressão? E aí, que se faz? A polícia intervem e será agressão policial? A polícia fica quieta e será laxismo de autoridade? A política escolherá um lado? E qual lado? E na confusão, quem agride quem? Não me parece que se vão levar camisolas clubísticas para se distinguirem no meio da multidão. Será um batalha de raças? E então os brancos que defendem os pretos e vice-versa? E será que imigrantes de Leste irão agredir descendentes de angolanos? Será que moçambicanos brancos salvarão skins por engano? Não se encontra na História das democracias uma única situação em que o poder policial conseguisse deter com eficácia uma forte movimentação de massas. Não me parece que isso vá acontecer desta vez.
Ou muito me engano, ou vai fazer-se história este sábado. O pior é que poderá ser feita à maneira medieval.
Quinta-feira, Junho 16, 2005
Quarta-feira, Junho 15, 2005
"Recusei-me a tomar a vacina para a febre amarela por um motivo: já tinha tido febres de todas as cores e era injusto deixar o amarelo de fora.""
Ondjaki
Sexta-feira, Junho 10, 2005
Quarta-feira, Junho 08, 2005
Dez melhorias para a imprensa do futuro
Caros colegas, desde ontem "especialistas em comunicação" sob o condão académico, saibam que 2004 foi um óptimo ano para a Imprensa Mundial.
A circulação global de jornais aumentou 2.1%.
O número de novos títulos aumentou 2%.
A publicidade aumentou 5.3%.
Como vêm, não há motivos para preocupações. Há, no entanto, algumas coisas a fazer, de acordo com o relatório da WAN sobre a imprensa para 2004.
Terça-feira, Junho 07, 2005
I'm meeeelting
Ainda bem que essa coisa do efeito de estufa é uma invenção, porque se não fosse estávamos fodidos...
Como funciona a meritocracia num sistema voyeurista? Que tem de fazer alguém que é vigiado e avaliado pelo seu comportamento do dia-a-dia para que essas acções vão de encontro aos desejos de quem lhes avalia o mérito para continuar? E se essa meritocracia se baseia na capacidade que cada um tem de agir de um determinado modo no dia-a-dia, independentemente das suas capacidades ou resultados, afinal que pesos desequilibram a balança da decisão? Se um governo pretende votar uma lei ou um tratado constitucional numa direcção e a maioria da população caminha na direcção contrária, que diz isso da democracia representativa? E do conceito de representatividade? E dos políticos? E de quem votou nos políticos? A que meritocracia concorrem eles? Julgá-los-emos pelos actos ou pela sua pose no dia-a-dia? Preferimos o mau e eficaz ou o simpático incompetente? Se os políticos participassem num reality-show, quantos dias demorariam a serem eliminados? Santana venceria o Big Brother? E Carrilho, vencerá a CML? Quem sabe melhor, o Sócrates austero do dia-a-dia ou o Sócrates das medidas austeras? Quem tem mais mérito, aquele que dá pão e circo ou aquele que acaba com a palhaçada e quer comer Bacalhau à Brás?
Todas estas questões são seleccionáveis para Seminários.
Domingo, Junho 05, 2005
Neo-Surrealismo
A sinopse do recente filme português Adriana apela à mais complexa das correntes artísticas. Apesar de todos os elogios que o filme tem recebido (e, como ainda não vi, não poderei confirmar), a sinopse diz algo deste género:
Uma miúda açoreana vem para o Continente tentar procriar porque alguém nos Açores decidiu proibir o sexo (até o procriativo) por dá cá aquela palha. A miúda não se consegue fazer perceber, de tal fechada que é a sua pronúncia, mas quando se consegue fazer entender, os homens fogem aos seus pedidos de sexo descomprometido com uma virgem.
Percebem o surrealismo nisto?
