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Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006

Da política para a alcofa

O Homem é previsível. E por isso transporta para a rua os ensinamentos de casa enquanto tenta convencer a família de o que o que está lá fora é que é bom. E, por isso, repete posturas. Às distopias estatistas iniciadas na primeira metade do século XX corresponderam formas de amar. Chamemos-lhe funcionalismo público sentimental. Actualmente, e em particular as gerações mais jovens, trazem para dentro de casa os mesmos predicados por que se regem no trabalho: ou dão o litro, ou são substituídos.

Assim sendo, passamos do funcionário público nos serviços do Estado para o funcionário público em casa, situação que se traduz mais ou menos no seguinte: o primeiro a apanhar a miúda ganha, pela antiguidade, privilégios e direitos adquiridos inalienáveis, para e pelos quais não terá mais que suar um mililitro. A mulher é dele, dar-lhe flores ou um par de estalos não alterará a macro-estrutura.

E depois há a juventude, que sabe ser difícil (e enfadonho) manter-se o mesmo emprego uma vida inteira, quanto mais uma mulher.

A diferença de sistemas, dirá o filho da puta que me quiser destruir a dissertação, reflecte-se na natureza da relação entre elementos, que no trabalho há quem manda e quem obedece e que numa "relação moderna" está tudo ao mesmo nível. Pura ilusão: ainda que a propriedade seja, no mercado de trabalho, a força desequilibradora na tomada de decisões, quantos são os CEO's e Chairmans e Presidentes ou Directores de Departamento que potenciaram o seu peso na balança? Bastantes. Chama-se a isso alpinismo (ou darwinismo) laboral.

Nas relações é igual: ambos os funcionários procuram, mais ou menos subtilmente, colocar-se na posição mais favorável para a decisão. A igualdade, nesses termos, é uma ilusão. Tudo bem que dividem contas, mamadas aos putos e trabalham os dois. Mas o facto é que, neste caso, igualdade seria um dizer: eu quero X; e outro reclamar: eu quero Y e as duas posições anularem-se. A partir do momento em que um pode ficar com X e o outro com Y, ainda que custando a relação, a ligação entre ambos não passa de um eterno desequilíbrio.

A desvantagem de um mercado sentimental livre é a precaridade da nossa posição. A sua vantagem é a equivalente precaridade dos outros. Só estamos a bem com o mal dos outros, de facto...

3 Comments:

Blogger Hedonista said...

Dessa dissertação retiro:
"... mamadas aos putos..."????

4:15 PM

 
Anonymous Anónimo said...

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3:25 AM

 

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